Como viver a vida cristã?

Como conseguir a vitória sobre o pecado?

Em nossa vida espiritual, existem três “linhas”:

  1. A linha dos fatos consumados. São os fatos que Deus já cumpriu. Por meio da cruz de Cristo, Deus considera algumas coisas como fatos consumados, ou seja, terminados, concluídos.
  2. A linha da experiência. Cada cristão tem experiências boas, más ou neutras. Freqüentemente, são coisas que os demais irmãos na fé não podem ver, mas são muito reais para aqueles que as provou.
  3. A linha do comportamento. Essa tem um caráter mais ou menos público, pois é visível para todos.

O ideal na vida cristã é que essas três linhas sejam paralelas. Em cada um de nós, a terceira linha é, em maior ou menor grau, paralela à segunda, ou seja, na maioria das vezes nosso comportamento está condicionado por nossas experiências. Na vida pública, manifestamos as histórias escondidas de nossas experiências interiores, pessoais.

Você, leitor, talvez reconheça que sua vida e seu testemunho para Cristo não são o que deveriam ser. Você gostaria que eles correspondessem mais aos atos consumados de Deus (a cruz e seus resultados); desejaria ser mais guiado pelo Espírito Santo, assemelhar-se mais a Cristo. Como mudar isso?

Ponha os olhos na primeira linha

Você nunca alcançará isso que deseja ocupando-se de si mesmo, apesar de muitos cristãos pensarem assim e se esforçarem durante meses e anos tentando alcançar um estado [espiritual] satisfatório. Se alguém se concentra totalmente na linha que quer traçar, a do comportamento, nunca conseguirá que ela se alinhe à primeira, a linha dos feitos de Deus. Fixe seus olhos na primeira linha, pela qual deve andar, e coloque a segunda linha paralela àquela; assim você terá o que deseja: [a terceira linha]. Para progredir, devemos ajustar-nos à ordem de Deus: nosso comportamento se rege por nossas experiências, e nossas experiências deveriam se caracterizar pelo conhecimento que temos dos fatos consumados de Deus.

Pôr os olhos na linha de Deus significa ser libertado do poder do pecado

Os capítulos 6 a 8 de Romanos falam especialmente da experiência e do comportamento, mas a linha dos fatos consumados de Deus aparece como o fio condutor dos três capítulos.

Permita-me perguntar-lhe acerca de seu estado espiritual. Como você avança? Na vida cristã, você continua tendo a alegria que tinha quando se converteu? Talvez aconteça com você o que acontece com muitos cristãos: experimentam fracasso em lugar de vitória, tristeza em vez de alegria. Talvez o testemunho do capítulo 7 pode lhe servir de consolo, pois praticamente não se pode cair mais baixo. O que a pessoa ali mencionada experimentou era apenas miséria, e se resume assim: “Eu sou carnal, vendido sob o pecado” (v. 14). E, como era de esperar, seu comportamento não era melhor: “Não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço” (v. 19).

Então, o que ajudou essa pessoa em sua miséria? Precisamente o mesmo que vai ajudar você: o conhecimento dos fatos consumados de Deus. Eles aparecem em cada um desses capítulos, e você notará que eles não dependem de nós. Independentemente de quais sejam nossas experiências, a realidade desses fatos se mantém imutável. São eles:

  1. “Nosso homem velho foi com ele [Cristo] crucificado” (6.6).
  2. “Assim, meus irmãos, também vós estais mortos para a lei pelo corpo de Cristo” (7.4).
  3. “Deus, enviando o seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne” (8.3).

Esses versículos se referem a algo que Deus realizou para Si mesmo na cruz de Cristo, pois ali nosso velho homem foi crucificado, morremos para o pecado e o pecado foi julgado na carne.

Pare de olhar para si mesmo e olhe para o Senhor

Aproprie-se dessa nova realidade. Se nosso velho homem (tudo o que éramos como filhos de Adão) foi crucificado com Cristo, isso significa que Deus já acabou com ele, o velho homem, e não há razão para você continuar se queixando de seu estado depravado. Se estamos mortos para a lei, então, cada vez que você fracassa, não deve castigar-se com a dureza da lei; é melhor que se julgue à luz da graça de Deus. Se o pecado foi julgado na carne, então, é claro que na cruz Deus confrontou a raiz do problema e julgou o pecado, que é a origem do mal. Por que você não emprega melhor seu tempo meditando no grande amor de Cristo, o qual expressou-se em Sua morte, em vez de estar pensando no pecado, que foi a origem da morte do Senhor?

Jamais creia que o simples conhecimento dos três fatos mencionados acima, por mais valiosos que seja, produzirá algo por si mesmo. Esse conhecimento não lhe servirá de nada se não leva você a abandonar qualquer esperança de ter experiências satisfatórias ou um comportamento melhor mediante seu próprio esforço, se não move você, por meio do poder do Espírito Santo, a fixar os olhos no Senhor Jesus. Somente quando você permitir ao Espírito Santo encher seu coração da perfeição e da glória de Cristo, sua situação mudará e suas experiências e seu comportamento adquirirão outra dimensão.

Mantenha contato com o que é celestial

Um trem elétrico pode ilustrar isso muito bem, pois anda com a ajuda dos cabos conectados à corrente elétrica. Todo o funcionamento depende de seu contato permanente com o grande pantógrafo que está sobre a locomotiva. Se observar um trem à noite, você verá quão rápido ele vai e quantas luzes tem! Mas, de repente, não avança mais. O que aconteceu? O contato foi interrompido, e o motor ficou sem energia. Somente quando o Espírito Santo nos mantém em contato com a linha dos atos consumados de Deus seremos capazes de correr nossa carreira cristã e brilhar para Cristo.

Para concluir, observemos que em Romanos 6–8 cada uma dessas linhas pode ser vista. Se, por meio da graça de Deus, permanecemos conectados com Seus atos consumados, teremos uma experiência muito boa, que pode ser descrita assim: “Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte” (8.2).

Teremos a liberdade de viver com Cristo, Nele em quem nos alegramos, e, com respeito a nosso comportamento, seguiremos a exortação: “Apresentai-vos a Deus, como vivos dentre mortos, e os vossos membros a Deus, como instrumentos de justiça” (6.13).

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