O camaleão, quando está na grama para pegar moscas e gafanhotos, toma a cor da grama, assim como o pólipo fica da cor da rocha sob a qual se esconde, de modo que o peixe pode ousadamente chegar perto dele sem qualquer suspeita de perigo. Da mesma maneira, Satanás se transforma na forma que menos tememos e coloca diante de nós objetos de tentação que são os mais agradáveis à nossa natureza e, assim, pode logo nos aproximar de sua rede. Ele navega com qualquer vento e nos leva para aquele caminho em que nos inclinamos para a fraqueza da natureza humana. Nosso conhecimento nos assuntos da fé é deficiente? Ele, então, nos tenta ao erro. Nossa consciência é frágil? Ele nos tenta ao perfeccionismo e à muita precisão. Nossa consciência é muito larga, como a linha eclípitca? Ele nos tenta à liberdade carnal. Somos pessoas de espírito ousado? Ele nos tenta à presunção. Somos medrosos e temerosos? Ele nos tenta ao desespero. Temos uma disposição flexível? Ele nos tenta à inconstância. Somos rígidos? Ele trabalha para fazer de nós heréticos, cismáticos e rebeldes obstinados. Somos de temperamento austero? Ele nos tenta à indulgência e à pena tolas. Somos quentes em questões de religião? Ele nos tenta ao zelo e à superstição cegos. Somos frios? Ele nos tenta à mornidão laodicense. Assim, ele coloca suas armadilhas para, de um modo ou de outro, nos enlaçar.