Olhe somente para Jesus!

Olhando fixamente para Jesus…

(Hebreus 12.2).

Para o homem em Cristo a vida tem um objetivo claro e definitivo. O Espírito achou por bem encher toda a Bíblia com essa verdade, continuamente exortando o crente a perceber que sua vida está firmada no contexto do propósito divino. A Epístola aos Hebreus não somente apela para nós prosseguirmos até essa meta, mas retrata Cristo como o grande exemplo e prova de que a meta pode ser alcançada. Jesus foi por este caminho; Ele passou por todo o caminho, e Ele chegou ao destino. Além disso, Ele fez tudo por nós e, por Sua realização, nos deu o terreno da confiança de que a meta pode ser alcançada e o prêmio, ser recebido. Ele levou sobre Si nossa humanidade, aceitou o desafio de nossas circunstâncias e experiências, nunca vacilando até que o fim divino foi alcançado. Somos lembrados de que Ele triunfalmente cumpriu o propósito de Deus e que, por Sua presente posição, Ele nos oferece a certeza de que nós também podemos participar no Seu triunfo. Devemos continuar a olhar para Jesus. Mais corretamente, isso deveria ser declarado como: “Olhando fixamente para Jesus”. Este assunto da direção de nosso olhar espiritual é de extrema importância. O homem sábio equiparou um percurso reto e estabelecido com o olhar para a frente e sem se desviar para a direita ou a esquerda. A Palavra de Deus dá clara advertência sobre sair do caminho de Sua vontade, pois Deus sabe dos perigos envolvidos ao fazer-se isso, e deseja nos poupar do obstáculo ao progresso que pode resultar quando olhamos ou estamos seguindo na direção errada. No presente artigo, consideraremos alguns desses olhares que devem ser evitados por aqueles que desejam fazer progresso espiritual.

O olhar para trás

O Senhor Jesus foi muito enfático acerca desse assunto quando declarou que ninguém que coloca a mão no arado, e fica contemplando as coisas que deixou para trás, é apto para o Reino de Deus. Este olhar para trás pode levar a graves tragédias. No deserto, foi isso que Israel fez. Egito ficou para trás deles e devia ter sempre ficado longe, mas nas dificuldades do caminho eles chamaram um ao outro a olhar para trás. “Voltaram atrás, e tentaram a Deus, e provocaram o Santo de Israel” (Sl 78.41). Eles estragaram todo o curso deles por essa ação, e por muitos anos não fizeram nenhum progresso, mas ficaram dando voltas e voltas em círculo; e tudo por olhar para trás. Aquela geração falhou em entrar no que Deus lhe tinha preparado simplesmente porque cedeu à tentação de olhar para trás, a qual foi – e sempre é – a direção errada.

Sempre seremos salvos pelo olhar para cima.

Perigos similares assolaram o povo de Deus nos tempos do Novo Testamento. Os crentes da Galácia ficaram incertos pela voz dos judaizantes, que os chamava a olhar para trás, não para o mundo com sua impiedade, não para abandonar completamente Cristo, mas para olhar em direção a um procedimento religioso que não era a vida espiritual à qual tinham sido chamados em Cristo. Eles tinham parcialmente já olhado para trás, e chegado a uma paralisação por causa disso. Previamente, eles haviam feito bom progresso, como sempre fazemos quando mantemos os olhos em Cristo, mas agora eles tinham parado e estavam levantando a questão quanto a se continuariam ou  se voltariam para os elementos indigentes que deveriam ter deixado para trás. A carta pretendia adverti-los dos perigos de olhar para trás. A Epístola aos Hebreus foi escrita para o mesmo propósito. Os interessados podiam ser levados a sentirem a nostalgia emocional do sistema do qual tinham sido libertados; portanto, eles tinham de ser lembrados de que perderiam o prazer de Deus se recuassem, e foram exortados a prosseguir, em lugar de ficarem olhando para o passado, e a focar o olhar no Cristo exaltado. Por mais avançados que possamos estar em nossa experiência cristã, isso parece não servir de nada se nos dermos ao luxo de tirar os olhos do objetivo estabelecido diante de nós e entramos na insensatez de olhar para trás.

O olhar em volta

olhar2Quando os espias trouxeram o relatório errado concernente à Terra Prometida, eles o fizeram porque tinham somente olhado à volta, e nunca conferiram o que viram com a realidade de um Deus todo-poderoso. Eles não imaginaram as dificuldades – não precisavam fazer assim, pois as cidades e os gigantes eram reais o suficiente. Mas eles mantiveram o olhar fixo nas coisas à volta deles, nunca elevando os olhos para Aquele de quem a ajuda vem, e dessa maneira ficaram desencorajados e desencorajaram o povo de Deus com o que foi chamado uma infâmia. O problema foi que eles olharam apenas para os arredores visíveis e tiraram os olhos do Senhor. Houve somente dois deles que mantiveram o olhar fixo na direção correta, e foram os que acabaram indo até o fim. Seus olhos olharam diretamente, e assim seu caminho foi estabelecido.

No Novo Testamento, Pedro é o grande exemplo do perigo dos que olham em volta. Enquanto ele manteve os olhos em Cristo, pôde realmente andar sobre a água, mas começou a afundar logo que os desviou, mudando a direção de sua atenção e começou a olhar para as circunstâncias: “Todavia, reparando na força do vento…” (Mt 14.30). Mais uma vez seja dito que ele teve muitas razões para seu medo. De fato, existem manuscritos antigos que registram “o forte vento”. Por mais que fosse insensatez deixar circunstâncias externas distraírem sua atenção do seu Senhor, que lhe rendeu um banho, ainda assim a mão de Jesus tão graciosamente o resgatou de qualquer coisa pior. Devemos ter cuidado de evitar, a todo custo, olhar em volta incredulamente, quando devemos estar olhando fixamente em fé.

O olhar míope

Paulo teve de acusar os coríntios de limitarem a visão para as coisas imediatamente diante de seus olhos: “Observais tão somente a aparência externa dos eventos” (2Co 10.7). Ser espiritualmente míope, focando-se somente no que está ao alcance da mão, é se tornar facilmente satisfeito em demasia e contente na esfera das coisas espirituais; ter um horizonte pequeno e estreito e falhar em apreciar o muito mais que Deus tem em mente. É muito fácil se estabelecer numa área bem circunscrita e limitada, pensando somente das coisas espirituais com as que estamos familiarizados e que parecem tão importantes para nós, enquanto falhamos em tomar nota do muito mais que jaz além de nós e para o qual estamos sendo chamados.

Podemos ser de visão curta mesmo com a Palavra de Deus

Na vida cristã, existem poucas coisas mais paralisadoras do que a assunção de que não há nada além da pequena esfera de nossa experiência. É possível ficar tão fechado, tão míope, que ficamos dando voltas e voltas em círculo, nunca olhando para as novas dimensões da experiência espiritual para a qual Deus nos está chamando, e quase imaginando que sabemos tudo o que há para saber sobre a Palavra de Deus e Seus propósitos em Cristo. Os coríntios parecem ter feito isto: se concentraram tanto em seus próprios assuntos, mesmo em seus próprios dons espirituais, que quase ficaram numa paralisação espiritual. Eles estavam olhando para si mesmos, cheios de preocupação por sua assembléia, a qual estava certa o suficiente, mas aparentemente sem serem capazes de apreciar os grandes propósitos de Deus representados pelo ministério de Paulo.

Mesmo os assuntos que têm sido claramente mostrados por Deus e abençoados por Ele podem se tornar um obstáculo quando prendem e mantém a atenção como coisas em si mesmas. Essas são as coisas diante de nossa face, mas nós fomos destinados a olharmos sempre para além delas para o Senhor, e sempre além dos fatores imediatos para os eternos valores em Cristo. Podemos ser de visão curta mesmo com a Palavra de Deus, se nos concentramos somente no que já conhecemos de Cristo e falhar em apreciar que Deus tem muita mais luz e verdade para romper de Sua Palavra.

O olhar para baixo

Aos filipenses, Paulo escreveu: “Não olhe cada um somente para o que é seu” (Fp 2.4). Ele os estava exortando a não serem sempre governados por como as coisas lhes afetavam pessoalmente, para não medirem cada assunto como se eles ganhassem ou perdessem pelo que estivesse acontecendo. Esquecimento de si é um dos segredos do progresso espiritual. Quando, em Sua conversa com a mulher samaritana carente no poço de Sicar, Jesus tinha demostrado esse gracioso desvio dos interesses pessoais para cuidar dos outros, Ele deu seguimento a Seu exemplo exortando Seus discípulos para levantarem os olhos e olharem para os campos. Um olhar egoísta é um olhar para baixo, e, como tal, deve ser evitado pelos que desejam endireitar os caminhos de seus pés. A preocupação de Paulo não era somente com o bem espiritual dos crentes individuais, mas com a marcha progressiva da comunhão do povo de Deus, e ele sabia que isso seria comprometido se cada um ficasse preocupado com seus próprios assuntos, mesmo que fosse na esfera das coisas espirituais.

O olhar para dentro

O último desses olhares mal direcionados é talvez o mais comum no caso dos que desejam seguir o Senhor. Grande parte das Escrituras parece estar preocupada em conseguir com que o povo de Deus pare de olhar para dentro. Talvez não haja nada mais calculado para deter o progresso espiritual do que o olhar para dentro. O que estamos procurando? Algo bom em nós mesmos? Nunca encontraremos isso, como Paulo deixa bem claro quando afirma: “Sei que na minha pessoa, isto é, na minha carne, não reside bem algum” (Rm 7.8). Introspecção é exatamente o oposto da fé, pois procura por alguma evidência da santidade e de poder de Deus em nós mesmos, em vez de se regozijar na perfeição do Salvador. Tem uma falsa aparência de humildade e piedade, mas na verdade leva para a autopreocupação, em vez de para a preocupação com Cristo. Precisamos ser sensíveis para que o Espírito Santo possa sempre nos conduzir continuamente para a apropriação do poder purificador do sangue de Cristo, mas nunca devemos nos manter olhando para dentro em lugar de fitar os olhos no nosso Substituto e Salvador. Não é uma pessoa sadia, mas uma doente, a que está sempre sentindo o próprio pulso e tomando a própria temperatura. Salvação é saúde; a saúde dos que sabem que a justiça deles está no céu. Fazemos bem em deixar o Senhor nos sondar, mas não teremos nada senão problemas se persistirmos em olhar para dentro. Se pensamos que é necessário continuar olhando para dentro a fim de evitar cair nas ciladas de Satanás, o salmista nos assegura que o Senhor vigiará nossos pés se mantivermos nossos olhos Nele: “Os meus olhos estão sempre voltados para o Senhor, pois somente Ele livrará os meus pés da cilada” (Sl 25.15). Isso é mais um argumento para o olhar para cima.

Nosso procedimento deveria ter sempre a eternidade em vista.

O olhar para cima

Está ficando aparente que muita coisa depende de nosso olhar, de modo que não ficamos surpresos de que perto do final da Epístola aos Hebreus, a qual nos lembra que somos chamados à parceria com Cristo e nos exorta a nos apressar para a plenitude Nele, haja essa chamada a olhar fixamente para Jesus, o autor e consumador de nossa fé. É para desviar nosso olhar do que está para trás, do que está em volta, do que está ao alcance da mão e do que é essencialmente egoísta; desviar o olhar de nós mesmos para Jesus. Abraão, o grande homem da fé, aguardava alcançar uma cidade celestial e um país celestial, e assim foi poupado de olhar para trás ou de se estabelecer. Muito estava ligado ao olhar sustentável dele. Muitas vezes ele foi tentado a procurar benefícios mais imediatos, algum meio-termo que era menor do que o melhor de Deus, e o Senhor tinha de constantemente chamá-lo para tirar os olhos das distrações e recompensas da terra para que desviasse o olhar para o objetivo essencialmente espiritual e celestial de seu chamado.

A passagem em Provérbios sublinha o íntimo relacionamento entre olhar diretamente para a frente e tendo um caminho de progresso claro e direto. Abraão descobriu que esse desviar do olhar das coisas da terra lhe mantinha constantemente em movimento. De tempos em tempos ele poderia ter se estabelecido em satisfação com sua própria posição, mas “ele aguardava alcançar uma cidade”, e foi poupado de estagnação ao manter os olhos no objetivo prometido de Deus.

Uma passagem muito relevante nesta conexão é: “Nossas aflições leves e passageiras estão produzindo para nós uma glória incomparável, de valor eterno. Sendo assim, fixamos nossos olhos, não naquilo que se pode enxergar, mas nos elementos que não são vistos; pois os visíveis são temporais, ao passo que os que não se veem são eternos” (2Co 4.17,18). É o eterno que está em vista, e isso exige ajustamento em muitos aspectos de nossos assuntos, para que nossa vida seja direcionada para a permanente glória do propósito de Deus para nós. Nosso procedimento deveria ter sempre a eternidade em vista. Quando estamos considerando um relacionamento, deveríamos vê-lo à luz do objetivo de Deus. Se temos de decidir onde viver ou qual trabalho tomar, deveríamos deixar nossos olhos olharem diretamente, não escolhendo o que parece bom só no momento, mas se certificando de que os valores eternos são também considerados. Exatamente como Satanás tentou Cristo ao Lhe oferecer os reinos deste mundo e sua glória, assim ele tentará distrair nossa atenção da vontade de Deus, oferecendo aparentes vantagens agora. Sempre seremos salvos pelo olhar para cima.

De “Para o Alvo” May-Jun 1975, Vol. 4-3.

Origem: “Where Are You Looking”

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