Um fato com extensa documentação pelas ciências (sociais, antropológica, psicológica) é o sentimento de pertença. O ser humano dentro da normalidade precisa estar com outros seres humanos. Daí se dizer que o ser humano é um ser social.

As pessoas precisam sentir-se acolhidas. As pessoas precisam identificar-se com um grupo para poderem “pertencer” a esse grupo.

Essa necessidade de pertencimento causa transtornos intensos a grupos mais frágeis, como os jovens e adolescentes. Pela grande ansiedade de serem aceitos e fazer parte de um grupo são submetidos a pressões que os encaminham a práticas e condutas muitas vezes pecaminosas, inadequadas, delinquentes ou autodestrutivas.

O sentimento de pertença também afeta a realidade visível e táctil da igreja. A necessidade de pertencimento desloca pessoas para os meios religiosos, independentemente de terem e estarem experimentando genuínas realidades com Deus.

Existem ocasiões nas quais o sentimento de pertença afeta a igreja, incluindo aqueles que legitimamente dela fazem parte por haverem sido levados a realidades relacionais com a misericórdia divina de Deus em Jesus Cristo pelo Espírito Santo. Isso ocorre quando, por exemplo, ordens de caráter mecânico (movimento) são proferidas.

Ao se verbalizarem imperativos tais como, vamos levantar, batam palmas, ergam os braços, abraça teu irmão ou venha aqui à frente, poucos são capazes de resistir ao sentimento de pertença, e, por receio de serem considerados refratários ao grupo, assentem aos comandos mesmo que não experimentem realidade interna alguma quanto ao que se pretendeu com os imperativos.

A exteriorização não vai acompanhada necessariamente de qualquer interiorização daquilo que se almejou. O sentimento de pertença, por constituir elementos básicos e instintivos do ser humano, atua em níveis subconscientes e pode dificultar ou anular qualquer reflexão ou exercício espiritual legítimo que se tenha pretendido. O Livro de Provérbios traz uma importante indicação disso tudo, da necessidade de reflexão e interiorização: “Laço é para o homem apropriar-se do que é santo, e só refletir depois de feitos os votos” (Pv 20​.25).

Como muito bem colocado por Leonard Ravenhill,a questão não é se você foi desafiado, mas sim se você foi transformado!”

Rogo a Deus para que inunde Sua igreja com o discernimento que conduz a práticas que sejam fruto de reflexão bíblica e sujeição legítima ao mover do Espírito Santo.