“Senti as vossas misérias, e lamentai e chorai; converta-se o vosso riso em pranto, e o vosso gozo em tristeza.” (Tiago 4.9)

Hoje pela manhã fui tomado por uma profunda tristeza. Acho que nunca havia experimentado tal coisa. Comecei a chorar copiosamente, sem saber o motivo. Sou um homem abençoado. Tenho uma linda família, irmãos fiéis com os quais compartilho a fé comum em Jesus Cristo, bom emprego e boa moradia. Mas apesar disso tudo a tristeza era tão intensa que simplesmente não consegui sair para o trabalho. Permaneci em casa, e então entendi.

Era Deus dizendo “Basta!”. Tendo carinho por mim e me levando para perto de Si, o único lugar realmente seguro, a única fonte de atividades que de fato servem para o bem pessoal, familiar, eclesiástico e humanitário. Apenas o toque e a presença de Cristo propiciam o fluir da água viva, que perdoa, cura, purifica e conduz à vida eterna (Jo 7.38). Lembrando-me que apenas a prioridade do senhorio de Deus conduz a todas as outras coisas que nos são necessárias (Mt 6.33).

Passei a manhã em oração com minha família. Fiquei extremamente consolado, em paz e alegre (Rm 14.17).

Lembrei então de um pequeno texto que nunca havia compartilhado, e o faço agora:

Essa tristeza antiga me acompanha, mesmo quando estou feliz.

“Sem mim você não suportaria o amanhecer de cada dia.
Sou Eu quem te ampara, quem te anima e aquenta,
Que te faz olhar com ternura o campo, as crianças e o azul de cima.
É por Mim que você sente o toque vibrante da vida, e nela se alegra.
Serenidade onde não caberia nenhuma é obra minha”.
Assim ela insiste em sempre me dizer, firme e cândida.
Sempre comigo. Consolando-me em cada sorriso.
Abraçando-me a cada abraço. Cantando em todo silêncio,
E silenciando toda canção e ruído.

Essa tristeza é minha mais antiga companhia.
É tão minha essa tristeza que chego a pensar:
Ela sou eu!
Mas estou igualmente certo de que não é.
É Deus mesmo. Sussurrando com misericórdia:
“Buscai primeiro a Mim”
Repartindo comigo a alegria de querer o bem,
A tristeza honrada de almejar a justiça
E a alegria dAquele que sofre por amor, até a Cruz.

Campos de Boaz: colheita do que Cristo, o Boaz celestial, espalhou em Seus campos é um projeto cristão voluntário sob responsabilidade de Francisco Nunes.
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