3 min leitura

Para John Stuart [1]

Aberdeen, 1637

Auto-submissão

Oh, se minha vontade se calasse como “uma criança desmamada dos seios” (Sl 131.2). Mas, pobre de mim! Quem tem um coração que dará a Cristo a última palavra na prova, e ouvirá e não falará outra vez? Oh! Provas e respostas queixosas, como “eu faço bem ficar indignado até a morte” (Jn 4.9), têm o mau cheiro de forte corrupção. Oh, bendita a alma que pode sacrificar sua vontade, e ir para o céu, tendo perdido sua vontade e ter resignado a ela por Cristo!

Eu não desejaria mais nada além de que Cristo fosse o rei absoluto sobre a minha vontade, e que minha vontade fosse uma sofredora em todas as cruzes, sem ter de se encontrar com Cristo e perguntar-Lhe: “Por que isso é assim?”

Eu ainda desejaria que meu amor ficasse apenas ao lado do lindo Jesus, e recebesse a graça de olhar para Ele, e arder por Ele, supondo que não pudesse tê-Lo até que meu Senhor dobrasse as folhas e os dois lados das tendas de barro dos pequenos pastores.

A estabilidade da salvação

Aquele que disse “Cristo em vós, a esperança da glória” (Cl 1.27) – pois nossa esperança e o alicerce e seus pilares são Cristo-Deus – sabia que os pecadores estão ancorados e estabilizados em Deus; de tal forma que, se Deus não mudar, o que é impossível, então, minha esperança não oscilará. Oh, doce estabilidade da salvação bem alicerçada! Quem poderia ganhar o céu, se não fosse assim? E quem poderia ser salvo se Deus não fosse Deus, e se Ele não fosse o Deus que Ele é? Oh, que Deus seja louvado porque nossa salvação é abordada e aportada e firmada em Cristo, que é o Mestre dos ventos e das tempestades! E quais são os ventos dos mares que, ao soprar, podem tirar a costa ou a terra de seu lugar? Os baluartes muitas vezes são derrubados, mas a costa não é removida; no entanto, mesmo se fosse, ou pudesse ser, mesmo assim Deus não pode oscilar nem ser removido.

Oh, que nos afastemos deste Senhor forte e inamovível, e que nos libertemos, se estiver em nosso poder, Dele! Ai de nós! Nosso amor jovem e imaturo não alcançou Cristo, não O conhece. Ele é de tal largura e amplidão, profundidade e altura e de doçura insuperável, que nosso amor é pequeno demais para Ele; mas, oh, que nosso amor, pequeno como é, una-se à enorme doçura e à transcendente Excelência Dele! Oh, três vezes benditos, e benditos eternamente sejam aqueles que deixam a si mesmos: que estejam em amor unidos a Ele!


[1] John Stuart, Reitor de Ayr. “Um cristão piedoso e zeloso de muito tempo, desde os seus tenros anos.” Ele usou seus bens deste mundo para aliviar os oprimidos. Ele estava entre aqueles que inutilmente se esforçaram para imigrar para a Nova Inglaterra.

 

(Para ler todos os artigos dessa série, clique aqui.)

Traduzido por Luiz Alcântara de The letters of Samuel Rutherford (1600–1661), p. 14. Revisado por Francisco Nunes. Este artigo pode ser distribuído e usado livremente, desde que não haja alteração no texto, sejam mantidas as informações de autoria e de tradução e seja exclusivamente para uso gratuito. Preferencialmente, não o copie em seu sítio ou blog, mas coloque lá um link que aponte para o artigo. Ao compartilhar nossos artigos e/ou imagens, por favor, não os altere.
Campos de Boaz: colheita do que Cristo, o Boaz celestial, espalhou em Seus campos é um projeto cristão voluntário sob responsabilidade de Francisco Nunes.
Licenciado sob a Licença Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 3.0 Brasil License.