O Criador veio buscar a criatura que O desprezou.

Uma vez, homens se assentaram ao redor da cruz para contemplar os Seus sofrimentos – provavelmente a última ocasião em que pecadores incrédulos puderam assentar-se em Sua presença.

“E havendo-O crucificado […] assentados, O guardavam” (Mt 27.35-36). Que cena! O Rei dos reis usando uma coroa de espinhos colocada sobre Sua cabeça por Seus súditos rebeldes. O Criador pendurado sobre um madeiro que Ele próprio criara, pregado ali por Suas próprias criaturas pecaminosas. Ele foi à cruz em submissão à vontade do Pai, levado como um cordeiro ao matadouro – e Mateus nos revela que aqueles que descarregaram ódio e violência sobre Ele se assentaram, friamente, para observar o espetáculo de Sua morte agonizante.

Talvez o Calvário tenha sido a última ocasião em que pecadores incrédulos puderam assentar-se em Sua presença. Um dia nós, os pecadores redimidos, estaremos assentados em Sua presença; mas os impenitentes, nunca. Lemos dos maus fugindo de diante de Sua presença (Ap 6), e, no juízo do Grande Trono Branco, estarão em pé na presença Dele para serem julgados (Ap 20).

Agora Ele é o Senhor na glória! Virá o tempo quando todos os habitantes da Terra se prostrarão perante Ele. Os vales estarão cheios de cadáveres, daqueles que se rebelaram contra Ele; Satanás e seu primeiro ministro do mal serão lançados no abismo; o joelho de todo sobrevivente terrestre se dobrará em sujeição ao Homem que morreu na cruz. Todo olho estará fito Nele – o tempo de Sua humilhação já terá passado.

Seu governo de graça não estará mais em evidência. Ele agora governará com uma vara de ferro. Aquelas feridas que os observadores infligiram no Calvário ainda estão em Sua pessoa, marcas eternas de Sua humilhação passada e de Sua vitória eterna.

Naquele grande dia do Senhor, todos os sobreviventes na Terra lamentarão e prantearão: “Eis que vem com as nuvens, e todo o olho O verá, até os mesmos que O traspassaram; e todas as tribos da Terra se lamentarão sobre Ele. Sim. Amém” (1.7). Ao olharem para Aquele a quem traspassaram, reconhecerão que Ele é, de fato, o Senhor de tudo. Durante mil anos a Terra terá descanso sob Seu reino benevolente. Os céus refletirão Sua glória. Finalmente, toda criatura no universo se unirá em louvor a este Príncipe onipotente.

“E verão o Seu rosto; e nas suas testas estará o Seu nome” (22.4). Uma vasta multidão de salvos vai contemplá-Lo eternamente. Sobre eles, aquele rosto, uma vez desfigurado, brilhará em graça e amor infindos. Seu rosto excederá em brilho todas as outras maravilhas. Para a Sua Noiva, a verdadeira Igreja, a beleza deste Ser ilustre será o centro incontestado de atração e deleite transformador, o objetivo central da eterna felicidade que ela terá.

Os pecadores nunca mais se assentarão para ver Seu sofrimento. Diante de Sua glória incomparável, todo joelho se dobrará, e os que Lhe pertencem – elevados à vida e à glória – se deleitarão em Seu maravilhoso ser e em Sua posição elevada, e serão para o louvor de Sua glória.

Fonte: revista O caminho, núm. 72, maio-agosto 2018, publicada por W. J. Watterson. Revisado por Francisco Nunes. Este artigo pode ser distribuído e usado livremente, desde que não haja alteração no texto, sejam mantidas as informações de autoria e de tradução e seja exclusivamente para uso gratuito. Preferencialmente, não o copie em seu sítio ou blog, mas coloque lá um link que aponte para o artigo.
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