3 min leitura

A. J. Gordon (1836-1895)

gordon_aj.jpg

Com certeza, não nos esquecemos que a Escritura usa a expressão “obtendo o fim de vossa fé, a salvação de vossa alma”. Mas o contexto mostra claramente que isso se refere ao fim último, ao aperfeiçoamento e a glorificação da alma na revelação de Jesus Cristo, e não a sua justificação quando creu em Cristo. “Aquele que crê no Filho tem a vida eterna”, tem sua semente e princípio. Mas Cristo disse: “Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância” (Jo 10:10). Cristo para nós, recebido pela fé, é a origem da vida; Cristo em nós, por meio da morada em nós do Espírito Santo, é a origem da vida mais abundante. O primeiro fato assegura nossa salvação; o outro nos faz aptos para glorificar a Deus pela salvação de outros.

De que formas tão distintas são manifestados esses dois graus da vida espiritual no discurso de nosso Senhor acerca da água da vida! O primeiro efeito sobre o crente ao beber essa água é: “Jamais terá sede; mas a água que Eu lhe der será nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna” (Jo 4:14). Ou seja, a alma recebe a salvação e a alegria e a paz perenes que acompanham a salvação. Mas o segundo grau é esse: “O que crê em Mim, como diz a Escritura, de seu interior fluirão rios de água viva. Isso disse do Espírito que haviam de receber os que cressem Nele” (Jo 7:38-39). Aqui vemos a vida divina derramando-se en serviço, testemunho e bênção, pelo Espírito Santo.

É esse último grau, a plenitude e o conseqüente derramamento das influências do Espírito Santo, o que necessita ser especialmente procurado nesses dias, por parte dos cristãos. Há tantos exemplos da falta de desenvolvimento na igreja; crentes que se têm contentado com o estado de infantilidade permanente e cujo testemunho sempre começa com sua conversão e gira em redor desse acontecimento, como a cantiga das crianças que continuamente estão dizendo sua idade.

Pois, mesmo nossa conversão, não obstante ter sido um acontecimento bendito, pode ser uma daquelas coisas que ficam para trás; que temos de esquecer para avançar para coisas mais sublimes. Não há um significado profundo naquela expressão de união dupla que nosso Senhor usa com tanta freqüência: “Vós em Mim e Eu em vós”? O ramo que está na videira tem seu lugar; mas, só por estar a videira nele, penetrando-o de contínuo com sua seiva e substância, é que tem poder para ser frutífero.

“Se alguém está em Cristo, nova criatura é”, é regenerado, é justificado. Mas permita-nos perguntar: Que podem significar as palavras do apóstolo quando, referindo-se a semelhantes pessoas regeneradas, disse: “Filhinhos, por quem de novo sofro dores de parto, até ser Cristo formado em vós” (Gl 4:19)? Esse último trabalho – essas segundas dores de parto pelos que já nasceram do Espírito – o que significa? Será uma metáfora ou será uma indicação de alguma obra mais profunda de renovação divina, por aqueles que, tendo começado no Espírito, estão em perigo de procurar tornar-se perfeitos pela carne?

***
Traduzido por Francisco Nunes; revisado por Rafael Araújo

Fonte

Campos de Boaz: colheita do que Cristo, o Boaz celestial, espalhou em Seus campos é um projeto cristão voluntário sob responsabilidade de Francisco Nunes.
Licenciado sob a Licença Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 3.0 Brasil License.