A preparação da esposa aqui mencionada refere-se especialmente às vestes dela. Apocalipse 19.8 diz: “E lhe foi dado que se vestisse de linho fino, puro e resplandecente; porque o linho fino são as justiças dos santos”. A Escritura nos revela que há dois tipos de vestimenta para os cristãos. Uma delas é o Senhor Jesus. Jesus é nossa roupa. A outra é a vestimenta de linho fino, puro e resplandecente, que é mencionada aqui. Todas as vezes que nos apresentamos diante de Deus, o Senhor Jesus é nossa vestimenta. Ele é a nossa justiça, e nós O vestimos quando nos aproximamos de Deus. Essa vestimenta é nossa roupa constante, para que cada santo esteja vestido diante de Deus e não seja achado nu. Por outro lado, quando somos apresentados a Cristo, devemos estar ataviados com o linho fino, puro e resplandecente. Esse linho fino são os atos de justiça dos santos. A palavra no original está no plural, e pode ser traduzida como “justiças” ou “atos de justiça”, significando uma sucessão de atos justos, um após o outro. Estes, juntos, são nossa veste de linho fino. Desde o momento em que fomos salvos começamos a obter essa vestimenta de linho fino, nossos atos de justiça, para nosso adorno.

Podemos ver esses dois tipos de vestimenta para o cristão também em Salmos 45. O verso 13 diz: “A filha do rei é toda ilustre lá dentro; o seu vestido é entretecido de ouro”. (A idéia é que o material de sua vestidura é de ouro, ouro batido.) Então, o verso 14 diz: “Levá-la-ão ao rei com vestidos bordados”. As roupas mencionadas no verso 13 são diferentes das mencionada no verso 14. No verso 13, a vestimenta é de ouro, mas, no verso 14, a roupagem é bordada. Em Apocalipse 19, as vestimentas de linho fino são de obra bordada, não de ouro.

O que, então, é o ouro? O Senhor Jesus é o ouro. Ele é o ouro por ser totalmente de Deus. A justiça que o Senhor Jesus nos deu, a vestimenta que Ele colocou sobre nós quando fomos salvos, é feita de ouro. Mas, além dessa roupa, há outra veste que estamos bordando desde o dia em que recebemos a salvação. E esta são os atos de justiça dos santos. Em outras palavras, a roupa de ouro nos é dada por Deus por meio do Senhor Jesus, enquanto a roupa bordada nos é dada pelo Senhor Jesus por meio do Espírito Santo. Quando cremos no Senhor, Deus nos deu, mediante o Senhor Jesus, uma veste de ouro. Ela é o próprio Senhor Jesus [como nossa justiça] e de modo nenhum está relacionada com nossa conduta. Ela nos foi dada por Ele totalmente pronta. As roupagens bordadas, entretanto, estão relacionadas com nossas obras. Elas são feitas, ponto após ponto, pela obra do Espírito Santo em nós, dia após dia.

Qual é o significado do bordado? É o seguinte: originalmente há uma peça lisa de tecido sem nada sobre ela. Mais tarde, algo é bordado nela com agulhas, e, mediante essa obra, o tecido original e o que foi nela bordado com agulhas se tornam um apenas. Isso quer dizer que, quando o Espírito de Deus trabalha em nós, Ele incorpora Cristo em nós – isto é o bordado. Assim não teremos apenas a vestimenta de ouro, mas também uma roupagem bordada pelo Espírito Santo. Por intermédio desse trabalho Cristo, será incorporado em nós e manifestado por nós. Tal roupa bordada são os atos de justiça dos santos, e é um tipo de trabalho que não é feito de uma vez para sempre, e sim dia após dia, até que um dia Deus diz: “Está pronto”.

Talvez alguém possa perguntar: “O que especificamente são os atos de justiça mencionados aqui?” Os Evangelhos citam muitos atos de justiça, tal como o ato de Maria expressando seu amor pelo Senhor ao ungi-Lo com nardo puro. Isso foi sua justiça. Isso pode ser uma das linhas transversais ou longitudinais da sua vestimenta de linho fino. Houve outras, como Joana, a esposa de Cuza, e muitas outras mulheres que, por causa de seu amor pelo Senhor, supriram as necessidades materiais Dele e de Seus discípulos. Esses também são atos de justiça.

Muitas vezes nosso coração é tocado pelo amor do Senhor e nós o manifestamos externamente. Isso é a nossa justiça, nossa veste de linho fino. Esse é o bordado que está sendo feito hoje. Qualquer expressão que resulta de nosso amor pelo Senhor e que é feita pelo Espírito Santo é uma agulhada dentre as milhares de outras no bordado. A Bíblia nos diz que qualquer que der um copo de água fria a um pequenino de maneira nenhuma perderá seu galardão. Esse é um ato de justiça feito por amor ao Senhor. Quando temos alguma expressão ou ato de amor para o Senhor, isso é justiça.

Apocalipse 7 diz que essa roupa é branca. Ela foi lavada e branqueada no sangue do Cordeiro. Devemos nos lembrar que só podemos nos tornar brancos quando somos lavados de nossos pecados mediante o sangue. E não somente nossos pecados, mas nossa conduta também deve ser purificada. Ela também só pode ser branqueada sendo lavada no sangue. Não há um único ato de qualquer cristão que originalmente seja branco. Mesmo que tenhamos alguma justiça, ela tem mistura e não é pura. Muitas vezes somos gentis com as outras pessoas, mas interiormente estávamos contrariados. Muitas vezes somos pacientes com os outros, mas quando voltamos para casa murmuramos. Dessa forma, após termos feito algum ato de justiça, ainda necessitamos da purificação do sangue. Necessitamos do sangue do Senhor Jesus para nos purificar dos pecados que cometemos, e também para nos purificar de nossos atos de justiça.

Nenhum cristão pode fazer uma roupagem que seja totalmente branca. Mesmo que pudéssemos fazer uma que fosse 99% pura e branca, haveria ainda 1% de mistura. Diante de Deus, nenhum homem é inteiramente sem ofensa. Mesmo os bons atos feitos por amor a nosso Senhor carecem da purificação do sangue. Um homem muito espiritual uma vez disse que mesmo as lágrimas que ele derramou pelo pecado precisavam ser lavadas pelo sangue. Ah! Até as lágrimas do arrependimento devem ser lavadas pelo sangue! Portanto, em Apocalipse 7 é dito que suas roupas foram branqueadas no sangue do Cordeiro. Não possuímos nada de que possamos nos gloriar. Nada em nós, exterior ou interiormente, é inteiramente puro. Quanto mais conhecemos a nós mesmos, mais compreendemos o quão imundos somos; nossos melhores atos e intenções estão misturados com imundícia, e sem purificação do sangue é impossível ser branco.

Mas as roupagens aqui não são apenas brancas, mas brilhantes ou resplandecentes. A brancura tem a tendência de se tornar opaca, pálida e comum. Mas essa vestimenta não é apenas branca, mas resplandecente. Antes de pecar, Eva poderia ser branca, mas de maneira nenhuma poderia ser resplandecente. É verdade que antes da queda ela não tinha pecado, mas era apenas inocente, e não santa. Deus não requer que sejamos apenas brancos, mas também resplandecentes. A brancura é um aspecto passivo, inativo. O resplendor, porém, é um aspecto positivo e ativo.

Não devemos, portanto, ficar amedrontados com as dificuldades ou aspirar por um caminho tranqüilo, pois são os dias de dificuldades que podem nos fazer resplandecer. Você pode não sentir que alguns cristãos tenham pecado ou que estejam errados em qualquer coisa. Pelo contrário, você sente que em quase todos os aspectos eles são bastante bons. Mas, ao estar com eles, você não sente nenhum esplendor. A bondade deles é apenas comum. Eles são brancos, mas não reluzentes. Por outro lado, há outros cristãos que freqüentemente são provados e colocados frente a frente com o sofrimento. Muitas vezes são tão abalados que parece que certamente cairão, mas eles continuam de pé. Depois de certo período de tempo, tais cristãos obtém uma qualidade de esplendor. Eles não são apenas retos, mas brilhantes; não são apenas brancos, mas resplandecentes.

Deus está trabalhando em nós todo o tempo. Continuamente Ele dispende muito esforço conosco para que possamos ser brancos, e Ele está operando em nós para nos fazer resplandecentes. Seu desejo é que sejamos brilhantes. Por essa causa é que precisamos pagar um grande preço e desejar que venha sobre nós todo tipo de dificuldade. De outra forma, nunca poderemos resplandecer. Ser apenas branco não é o bastante. Deus requer que seja visto em nós um esplendor positivo. O medo das dificuldades, o medo dos problemas, o anseio por um caminho fácil e suave: tudo isso terá como conseqüência a perda de nosso esplendor. Quanto mais sofrimentos e dificuldades encontrarmos, mais poderemos resplandecer. As pessoas cuja vida é gasta de forma fácil e comum podem ser brancas, mas nunca serão resplandecentes.

Essa roupa é de linho fino. Segundo a Escritura, a lã tem um significado diferente do que tem o linho. A lã denota a obra do Senhor Jesus, e o linho finíssimo, a obra do Espírito Santo. Isaías 53.7 descreve o Senhor Jesus como uma ovelha que emudece diante de seus tosquiadores. Desse versículo vemos que a lã possui o caráter da redenção. Com o linho, entretanto, não há um caráter de redenção envolvido. Ele é produzido por uma planta; nunca esteve associado com o sangue. O linho finíssimo é produto da obra do Espírito Santo dentro do homem. A roupa de linho finíssimo mostra que Deus não requer apenas que o homem tenha sua justiça, mas também seus próprios atos de justiça. Deus não tem apenas a intenção de obter a Sua justiça em nós, mas tenciona também obter em nós os muitos atos de justiça.

“E lhe foi dado que se vestisse de linho fino, puro e resplandecente”. Isso significa que todos os feitos, todos os atos de justiça exteriores são produzidos pela graça. “E lhe foi dado…” Eles não são manufaturados pelo homem natural, mas são o resultado da obra do Espírito Santo no homem. Portanto, devemos aprender a olhar para o Senhor e com expectativa dizer: “Senhor, dá isso a mim! Senhor, conceda-me a graça!” Quão bom é isto: essa roupa é dada pela graça! Se dissermos que essa veste é feita por nós mesmos, é verdade; realmente ela foi confeccionada por nós. Mas, por outro lado, ela foi dada por Deus, pois, quando dependemos de nós mesmos, não podemos produzir nada. É o Senhor que a produz em nós, mediante o Espírito Santo.

Muitas vezes sentimos que o encargo [de Deus para nós] é, na verdade, grande. Desejamos escapar, e quase suplicamos ao Senhor: “Ó Senhor, livra-me!” Mas devemos mudar nossa oração para: “Senhor, torna-me capaz de suportar a carga. Senhor, leva-me a estar de pé diante dela. Faça-me branco e conceda-me estar vestido de roupa resplandecente”.

Apocalipse 19.9 diz: “E [o anjo] me disse: Escreve…” Deus falou, e pediu a João que o escrevesse. O que ele escreveu? “Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro”. Novamente o anjo disse: “Estas são as verdadeiras palavras de Deus.” Deus fez com que ficasse especialmente claro que essas são Suas verdadeiras palavras. Devemos aceitá-las, atentar para elas e lembrar delas.

Qual a diferença entre aqueles que são convidados à ceia das bodas do Cordeiro e a Noiva do Cordeiro? A diferença é: a Noiva é um grupo escolhido: o novo homem. Mas aqueles que são convidados à ceia das bodas são um grande número de indivíduos: os vencedores. A ceia das bodas do Cordeiro refere-se à era do reino. Aqueles que foram convidados estarão juntos com o Senhor, experimentando uma comunhão única e especial, que ninguém jamais provou anteriormente. O Senhor disse por meio do anjo: “Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro. […] Estas são as verdadeiras palavras de Deus.” Oh! Que Deus nos leve, por amor de Si mesmo, a sermos capazes de experimentar essa comunhão especial com Ele; que Ele faça de nós aqueles que humildemente buscam satisfazer o desejo de Seu coração. Por amor da Igreja, que Ele nos leve a buscar aqueles que suprem vida. E, mais ainda, por amor ao Reino, que Ele nos leve e nos capacite a sermos vencedores.

Fonte: extinta revista A Palavra Profética Nº 4 – A Noiva de Cristo – 1989. Este artigo pode ser distribuído e usado livremente, desde que não haja alteração no texto, sejam mantidas as informações de autoria e de tradução e seja exclusivamente para uso gratuito. Preferencialmente, não o copie em seu sítio ou blog, mas coloque lá um link que aponte para o artigo.
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