A oração deve estar enraizada na unidade!

“Também vos digo que, se dois de vós concordarem na terra acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por meu Pai, que está nos céus. Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles” (Mt 18.19,20).

Uma das primeiras lições de nosso Senhor em Seu ensino sobre oração foi que não devemos orar para sermos vistos pelos homens. Mas, ao orar, entremos no aposento e estejamos a sós com o Pai. Quando nos ensinou que orar é um contato individual e pessoal com Deus, Ele também nos apresentou uma segunda lição: você não só precisa orar de forma secreta e solitária, mas também em público e em unidade. E Ele nos deu uma promessa muito especial para a oração em unidade de dois ou três que concordarem naquilo que estão pedindo.

Assim como uma árvore tem as raízes escondidas sob o solo e os galhos vão crescendo em direção à luz do sol, igualmente a oração, para seu pleno desenvolvimento, necessita ser feita em secreto, que é quando a alma a sós encontra Deus, e em comunhão pública com aqueles que no nome de Jesus encontram seu lugar para estarem juntos.

A razão pela qual isso deve acontecer assim é simples: o laço que une um homem a seu companheiro não é menos real nem menos próximo do que aquele que o une a Deus – ele é um com eles. A graça não só renova nossa relação com Deus, mas também com o homem. Aprendemos a dizer tanto “meu Pai” quanto “nosso Pai”. Nada poderia ser tão estranho quanto filhos encontrarem com seu pai separadamente e não em uma expressão única de seus anseios e de seu amor. Cristãos não são apenas membros de uma família, mas também de um corpo. Da mesma forma que cada membro do corpo depende de outro, assim a plena ação do Espírito, que habita o corpo, depende da união e da cooperação de todos, de tal modo que cristãos correm o risco de não receberem a plenitude da bênção que Deus está pronto para conceder mediante Seu Espírito, a menos que eles a busquem e a recebam em comunhão uns com os outros. É por meio da união e da comunhão entre os que crêem que o Espírito pode manifestar Seu pleno poder. Foi porque 120 pessoas permaneceram em um mesmo lugar, orando em unanimidade, que o Espírito veio do trono do Senhor glorificado.
As marcas da genuína oração em unidade nos são apresentadas nestas palavras do Senhor:

1. Concordância no que está sendo pedido

A primeira coisa é “concordância” no que está sendo pedido. É indispensável que não haja apenas um simples consentimento mental entre os que pedem, mas é indispensável que haja algo especial, um desejo unânime. A concordância, assim como toda oração, deve ser em espírito e em verdade. Sobre essa concordância ficará muito claro para nós exatamente o que estamos pedindo, se estamos confiantemente pedindo conforme o desejo de Deus e se estamos prontos para crer que já o recebemos.

2. Estarem reunidos em nome de Jesus

A segunda marca é estar reunidos em nome de Jesus. Nosso Senhor nos ensina que Seu nome deve ser o centro da união na qual os crentes estão, cujo laço os faz serem um, assim como um lar contêm e une todos os que estão nele. “Torre forte é o nome do Senhor; a ela correrá o justo e estará em alto refúgio” (Pv 18.10). Tal é a realidade desse nome para aqueles que o compreendem e crêem nele que estar nele é ter o próprio Cristo presente.

O amor e a unidade de Seus discípulos têm atração infinita por Jesus: “Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em Meu nome, aí estou Eu no meio deles” (Mt 18.20). É a presença viva de Jesus, na comunhão de Seus amados discípulos que oram, que dá poder à oração em unidade.

3. A resposta segura

A terceira marca é a resposta segura: “Isso lhes será feito por meu Pai, que está nos céus” (Mt 18.19).

Encontros de oração que visam manter comunhão religiosa ou busca pela edificação pessoal podem ter utilidade, mas não é esse o modelo que o Salvador deixou. Outrossim, Ele imaginou encontros de oração como um meio seguro de resposta à oração. Encontros de oração que não têm suas petições atendidas devem ser uma exceção. Quando qualquer um de nós tem anseios específicos e está muito fraco para exercer a fé necessária, deve procurar força e socorro em outros. Na unidade da fé, do amor e do Espírito, o poder do nome de Jesus e Sua presença agem mais livremente e a resposta vem com mais certeza. A prova de que houve unidade na oração é o fruto, o resultado, a resposta, o recebimento do que foi pedido: “Também vos digo que, se dois de vós concordarem na terra acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por meu Pai, que está nos céus” (Mt 18.19).

Que indescritível privilégio é a oração em unidade e que poder ela pode ter! Se o marido e esposa crentes soubessem que estão unidos no nome de Jesus para experimentar Sua presença e Seu poder na oração em unidade (1Pd 3.7); se amigos cressem quão poderosa ajuda dois ou três orando em consonância poderia prover para cada um deles; se, em cada reunião de oração, o reunir-se no Nome, a fé na Presença e a expectativa de resposta ficassem em primeiro plano; se, em cada igreja, as efetivas reuniões de oração em unidade fossem o principal motivo das pessoas estarem reunidas, para expressar esse mais elevado poder da igreja; se na Única Igreja a vinda do reino, a vinda do próprio Rei, primeiramente na dispensação poderosa do Espírito Santo, depois em Sua gloriosa pessoa, fossem realmente a causa de um clamor constante a Deus… Oh! Que bênçãos poderiam vir para e por meio daqueles que concordam em provar Deus quanto ao cumprimento de Sua promessa.

No apóstolo Paulo vemos muito claramente que realidade sua fé tinha no poder da oração em unidade. Aos romanos, ele escreve: “E rogo-vos, irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo e pelo amor do Espírito, que combatais comigo nas vossas orações por mim a Deus” (15.30). Como resposta à oração, ele espera ser livre dos inimigos e também prosperar em sua obra.

Aos coríntios, ele escreveu: “O qual [o Senhor] nos livrou de tão grande morte, e livra; em quem esperamos que também nos livrará ainda, ajudando-nos também vós com orações por nós, para que pela mercê, que por muitas pessoas nos foi feita, por muitas também sejam dadas graças a nosso respeito” (2Co 1.10,11). A oração deles era para terem uma participação real na libertação do apóstolo.

Aos efésios, ele escreveu: “Orando em todo o tempo com toda a oração e súplica no Espírito […] E por mim; para que me seja dada, no abrir da minha boca, a palavra com confiança, para fazer notório o mistério do evangelho” (6.18,19). Seu poder e sucesso no ministério dependiam da oração deles.

Aos filipenses, ele diz esperar que suas lutas sejam úteis para a salvação e sirvam para o progresso do evangelho: “Porque sei que disto me resultará salvação, pela vossa oração e pelo socorro do Espírito de Jesus Cristo” (1.19).

Aos colossenses, ele ordena que continuem firmes em oração: “Orando também juntamente por nós, para que Deus nos abra a porta da palavra […]” (4.3). Aos tessalonicenses, disse: “No demais, irmãos, rogai por nós, para que a palavra do Senhor tenha livre curso e seja glorificada, como também o é entre vós; e para que sejamos livres de homens dissolutos e maus; porque a fé não é de todos” (2Ts 3.1,2).

Está evidente, em todas essas passagens, que Paulo se sentia membro de um corpo e que ele contava com as orações das igrejas para que alcançasse o que, de outro modo, não obteria. Para ele, as orações da igreja eram um fator decisivo na obra do reino tanto quanto o era o poder de Deus.

Quem pode imaginar o poder que uma igreja poderia desenvolver e exercitar se ela se entregasse ao serviço da oração dia e noite para que o poder de Deus venha sobre Seus servos e Sua Palavra, e para que Deus seja glorificado pela salvação de almas?

A maioria das igrejas pensa que seus membros se reúnem simplesmente para zelar uns pelos outros e edificar uns aos outros. Elas não consideram que Deus rege o mundo pelas orações de Seus santos, que essas orações são o poder mediante o qual Satanás é vencido, que pela oração a Igreja na terra tem a seu dispor os poderes celestiais. Elas não se lembram de que Jesus, por Sua promessa, consagrou cada assembléia em Seu Nome para ser uma porta para o céu, onde Sua Presença pode ser percebida e Seu Poder pode ser experimentado quando o Pai responde a todos os anseios das igrejas.

(Fonte da imagem)

Traduzido por Paula Caram Dallapiccola Sedano de (e adaptado) The power of united prayer, de Andrew Murray. Revisado por Francisco Nunes. Este artigo pode ser distribuído e usado livremente, desde que não haja alteração no texto, sejam mantidas as informações de autoria e de tradução e seja exclusivamente para uso gratuito. Preferencialmente, não o copie em seu sítio ou blog, mas coloque lá um link que aponte para o artigo.
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