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Provas da faculdade, exames, dificuldades… Muitos estudantes acabam de passar estas datas temidas das quais dependem, mais ou menos, seu futuro terreno. Êxito ou fracasso, qualquer que seja o resultado de seus esforços, se o jovem cristão colocou nas mãos do Senhor o cuidado de conduzir sua vida, poderá dar-Lhe graças tanto por uma porta fechada como por uma aberta.

Mas não é destes exames que queremos falar-lhe agora. Tudo em nossa vida natural tem seu equivalente na vida espiritual. Cada um de nós nasceu certo dia em certa família composta por pais e irmãos. Tivemos de aprender a caminhar, falar, obedecer… Depois, veio a idade escolar, os estudos intermediários e, por fim, o exercício de uma profissão. Da mesma maneira, a vida espiritual de cada crente começa com o novo nascimento, que o faz entrar na família de Deus. Recém-nascido, seus primeiros balbúcios expressam a consciência da relação com o Pai: “Aba, Pai” (Rm 8.15). “Eu vos escrevi, filhos, porque conhecestes o Pai” (1Jo 2.13). Se é bem alimentado, se recebe os cuidados necessários, o recém-nascido em Cristo fará progressos que alegrem o coração do Pai e o de seus irmãos na fé. Dará seus primeiros passos no caminho cristão, aprenderá a obedecer, a orar, a dar testemunho. Então, goste ou não, deverá passar pela escola de Deus. Como em todas as escolas, na de Deus encontramos:

Um Professor. Quando Jesus estava na terra, Ele mesmo ensinava. Era o divino Mestre (Mt 7.29; Jó 36.22). Antes de Sua partida, confio o cuidado dos Seus ao Espírito Santo, Que O substitui atualmente. “Esse vos ensinará todas as coisas”, anunciou Jesus (Jo 14.26). todas as “matérias” que integram a totalidade da verdade são de Sua competência: o conhecimento de Cristo e de Sua Igreja, a doutrina, os aspectos proféticos, a vida cristã na prática, a qual, por sua vez, compreende o andar, o combate, a luz que o discípulo de Cristo irradie no meio do mundo, e o serviço sob seus diferentes aspectos. Não sejamos negligentes com nenhuma dessa “matérias”.

Uma Disciplina, ou seja, um conjunto de regras morais com suas respectivas sanções, cuja meta é que sejamos louvados por haver trabalhado bem, e censurados ou castigados quando agimos mal. Evitemos menosprezar essa disciplina e, igualmente, de desanimar quando somos repreendidos por Deus por meio dela. Seu objetivo é fazer de nós discípulos, homens maduros.

Um Livro: a Bíblia, suma de todo o conhecimento divino, prescrita e adaptada a todas as classes e idades como nenhum outro livro. De que livro escolar se poderia dizer isso?

Lições: umas, as teóricas, são ensinadas nas reuniões ou em nossas leituras pessoais da Palavra de Deus. Outras, as práticas, resultam da experiência cotidiana. Trata-se de aplicar em nossa vida diária o que temos compreendido pela inteligência e guardado na memória. Quais são as duas grandes lições que resumem o ensinamento da escola de Deus? Aprendemos a conhecer a nós mesmos, com nossas insuficiências, miséria e debilidades, e, simultaneamente, progredimos no conhecimento de Cristo com Sua perfeita suficiência, Sua misericórdia e Seu poder que se aperfeiçoa na fraqueza (2Co 12.9).

Exames, inevitáveis na escola de Deus. Geralmente, não são anunciados antecipadamente; são realizados, no mais das vezes, de surpresa. Por exemplo, hoje pode haver uma prova de paciência. Pouco importa o problema que se me apresente ou o instrumento do qual Deus se sirva: um contato com uma pessoa de caráter difícil ou da sucessão de pequenas contrariedades. Se eu não me preparei bem por meio da oração e da humilde confiança em Deus, nem sequer me darei conta de que se trata de uma prova. Só verei o instrumento e não a mão sábia que o conduz, a pessoa desagradável e não o divino Instrutor. Inevitavelmente, fracassarei: em lugar de pagar o mal com o bem (Rm 12.21), serei vencido pelo mal, neste caso a irritação ou a cólera. Freqüentemente, experimentamos exames de “prioridades”. Quando se me apresenta um determinado caso, a quem darei prioridade: a Cristo ou a outra pessoa? A Sua Palavra ou a uma leitura qualquer? A Seu serviço ou aos meus interesse?

Outro exemplo de exame: a Palavra me adverte sobre as armadilhas que o mundo e Satanás armam para o cristão; também me explica o meio de evitá-las. Mas chega o dia em que sou posto à prova: uma dessas armadilhas está realmente diante de mim. Se não creio no que a Palavra me diz ou se confio em minhas forças para enfrentá-la, fracassarei para minha completa confusão. Terei de “repetir” esta matéria e atrasar os progressos cristãos cujo conjunto constitui minha “escolaridade espiritual”.

Estes são exames nos quais ninguém pode colar, porque “todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos Daquele com Quem temos de tratar” (Hb 4.13). Cada um é julgado segundo seu verdadeiro nível e também por sua própria conta. Teremos de comparar-nos com os demais e contentar-nos com uma nota “aceitável” pretendendo que outros apenas obtenham um resultado “medíocre”, segundo nosso parecer. Mas o Espírito Santo, Que nos ensina, tem metas mais altas para nós. Ele nos apresenta o Modelo perfeito, excelente em tudo, e nos convida a seguir Suas pisadas; espera de nós alguma semelhança moral com Jesus. E este Homem perfeito não escapou da prova antes de começar Seu ministério. Ao se encontrar a Satanás no deserto, triunfou sobre toda tentação.

Vários jovens se esmeram em preparar sua vida profissional, ou seja, seu futuro terrenal. Parece-lhes que vale a pena dedicar-se durante meses ao estudo e expor-se a renúncias e esforços consideráveis. Até mesmo faltam às reuniões cristãs, crendo assim preparar-se melhor para um exame. Em contraste, não somos descuidados quanto a nosso futuro eterno? No entanto, da maneira como temos aprendido nossas lições espirituais dependerá não somente o serviço mais ou menos frutífero que possamos cumprir para o Senhor enquanto esperamos Seu regresso, mas também as coroas que Ele dará no dia das recompensas a fim de pô-las, para Sua própria glória, sobre a cabeça daqueles que as mereceram.

Desejamos fazer parte destes?

(Traduzido por Francisco Nunes de Exámenes, Um mensaje bíblico para todos, n. 11/2003, de J. Kn. Publicado por Ediciones Bíblicas Para Todos, Suíça.)

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