Orvalho do céu para os que buscam o Senhor!

Não podemos nos enganar: quando a vida divina se esvai, o que vemos é meramente uma organização humana, o resultado do agir das mãos do homem. Por isso não devemos fazer propaganda do testemunho de Deus, dizendo: “Nós somos a igreja, e ninguém mais é”; todos os que falam assim provam que não são a igreja. Aquele que realmente tem a presença de Deus pode falar qualquer coisa, menos essas palavras.

Se o Senhor for misericordioso conosco, se Ele demorar a retornar, nossa história não se reduzirá só aos primeiros capítulos do livro de Esdras (restauração dos fundamentos por meio da primeira geração), mas poderemos alcançar, além disso, a experiência do capítulo 7 (levantamento de uma segunda geração com encargo, revelação e autoridade na Palavra). Diante disso, a primeira geração tem uma grande responsabilidade. Se você faz parte da geração “mais madura” e conheceu ao Senhor em uma experiência de primeira mão, sua taça está cheia. Mas o que será da geração mais jovem? O que acontecerá nos próximos dez anos se o Senhor ainda tardar? Você tem uma grande responsabilidade: a de orar pela geração mais jovem, incentivá-la e estimulá-la, ajudá-la a conhecer o Senhor diretamente. Seu papel não é encontrar realização no próprio sucesso, mas fazer tudo para que a geração mais jovem vá muito mais longe do que a sua.

Senhor, ajuda-nos a aguardar, com alegria e gratidão, por aquele dia, pelo qual já Te somos gratos.

Se você não costuma estar na presença de Deus, não fale a respeito de comunhão.

Ao olharmos para Cristo, ficamos tão conscientes Dele e de Sua cruz que não mais nos tornaremos obcecados com nossa própria pessoa, obsessão essa resultado da picada fatal da serpente. O novo homem sempre desvia os olhos de si mesmo e os fixa em Jesus, “o Autor e Consumador da fé” (Hb 21.2). Este é o grande segredo para avançarmos em direção à maturidade na vida cristã, tornando assim possível o avanço vitorioso para as margens espirituais do Jordão, à terra de Canaã, que tipifica a plenitude da vida de Cristo.

Nenhum ministério, por mais rico que seja, jamais poderá transmitir ao Corpo todas as riquezas do Cabeça.

Entregamos uma vez mais esta publicação e a nós mesmos em Tuas mãos queridas. Tu sabes que o que possuímos de nosso são apenas cinco pães e dois peixinhos, que não podem nem mesmo satisfazer a nós, quanto mais atender à necessidade da multidão que nos rodeia! Assim, olhamos para Ti, esperando que nos abençoes como fizeste tanto tempo atrás com a multidão que alimentaste. Quando Tu abençoas, um grande milagre acontece! Oh, como gostaríamos de ver com nossos próprios olhos este mesmo milagre, aqui e agora! Mas, Senhor, nós não queremos insistir em que Tu devas nos abençoar. Sabemos profundamente em nosso coração que a lição Tu queres que aprendamos é que obedecer ao Mestre e segui-Lo é nossa responsabilidade, mas a de abençoar é Tua! Prostramo-nos diante de Teu caminho! Concede-nos o descanso por podermos deixar os resultados e o futuro em Tuas mãos poderosas. Oramos e agradecemos no nome maravilhoso de nosso Senhor, Jesus Cristo. Amém!

Essa edição de Gotas de orvalho é especial, pois é dedicada a um único autor: Christian Chen. É possível que a grande maioria dos cristãos brasileiros não conheça esse precioso servo do Senhor, a quem Ele chamou no dia 27 de julho passado. E o irmão Christian nunca quis mesmo ser conhecido: ele queria que o Senhor Jesus fosse conhecido, amado, seguido e obedecido.

Chen Xizeng nasceu em Fuchou, China, e se converteu ao Senhor aos 14 anos. Não muito depois, mudou-se para os Estados Unidos. Lá, na igreja em Nova York, foi espiritualmente orientado por Stephen Kaung, amado irmão (ainda vivo, servindo a Deus com 102 anos!) que foi cooperador de Watchman Nee na China até a prisão deste, em 1952. Pelo irmão Stephen, foi apresentado  aos ricos tesouros depositados pelo Senhor em Seu Corpo ao longo dos séculos.

Como doutor em física nuclear, foi convidado para lecionar na Universidade de São Paulo (USP). Aqui no Brasil, percebendo que os filhos de Deus pouco conheciam, de fato, a Escritura, dispôs-se ao Senhor para, de algum modo, servir a Seu povo. Após dois anos de oração e de comunhão com outros irmãos, decidiu criar uma revista, chamada À maturidade, em que publicava artigos de muitos preciosos servos de Deus de todas as eras. Em decorrência da acolhida da revista por inúmeros cristãos, começou também uma conferência semestral com o objetivo de capacitar cristãos, principalmente jovens, a manusear bem a Palavra da verdade. Suas mensagens eram sempre caracterizadas pela vasta cultura e pela piedade. Ele usava todos os conhecimentos da ciência para ratificar a autoridade da Escritura e para estimular a todos a amarem o Senhor.

Para a publicação da revista, comprou uma máquina de xerox “industrial”, cujo uso intenso provocou-lhe catarata. Por recomendação médica, deveria reduzir seu ritmo de trabalho. Mas, por fidelidade a seu chamado e por amor a seu Senhor, intensificou-o.

Em seu zelo pela preservação e divulgação da preciosa herança cristã, o irmão Christian compilou, com outros irmãos, um hinário chamado Christ in Song (Cristo nos cânticos) com 871 hinos, de todas as eras, cujo foco é exclusivamente Cristo.

Fonte: Hymn Treasury Archive

Em 1999, tive oportunidade de conhecê-lo pessoalmente, e o impacto é inesquecível. Aquele irmão, de quem eu mal ouvira falar (ou ouvira falar mal…) e que eu já supunha falecido, recebeu a mim e a mais quatro irmãos na casa de seu irmão, em São Paulo. Ele vinha de uma semana de conferência em Curitiba e embarcaria naquela noite para os Estados Unidos. Portanto, estava cansado. Mas aceitou nosso pedido para ouvir nossas dúvidas. Éramos um grupo de cristãos machucados, enganados pelo movimento evangélico do qual havíamos participado, cheios de questionamentos, rancores, frustrações, desilusões. E ele nos ouviu. Apenas ouviu, em silêncio, recusando-se até mesmo a comer o lanche que lhe foi oferecido.

Então, falou. Nós lhe havíamos dado toda a munição necessária para ele se promover como nosso novo guru espiritual, ou para criticar as pessoas que nós criticávamos, para confirmar que, de fato, aqueles homens que citamos eram hereges, para dizer que tínhamos razão em nossas críticas… Mas não fez nada disso. Apenas nos encorajou a buscarmos o Senhor, buscarmos a Ele mesmo. Não recordo de todas as suas palavras, mas uma de suas frases, a penúltima das citações acima, foi o que de mais marcante, libertador e revolucionário eu ouvi aquela tarde, cujos efeitos me beneficiam até hoje. Vindo, como eu vinha, de um “ministério” que se pretendia ser a última, definitiva e autorizada revelação de Deus, fui instantaneamente libertado por aquela frase do irmão Christian, dita de modo doce, singelo, sem qualquer insinuação. Ela pode parecer óbvia e sem qualquer apelo, mas, se o leitor considerá-la em oração, verá as profundidades que ela encerra.

No final daquele ano, com a grande expectativa da chegada do ano 2000, inauguração de um novo século, de um novo milênio, tive a oportunidade de participar de uma conferência que ele deu, cujas mensagens depois eu editei e foram publicadas na forma de livro, chamado O duplo chamamento. Desse livro vem a primeira das citações, que aponta para o fato de termos sido chamados para uma vida com Deus, não para rituais externos, não para pretensões eclesiásticas, não para a preservação de cascas vazias.

O Campos de Boaz deve muito ao irmão Christian. Seguimos, com nossas extremas limitações, o mesmo encargo que ele teve para criar a revista À maturidade: divulgar, para o povo de Deus, as riquezas de nosso amado Boaz celestial, o glorioso Senhor Jesus. A figura da respiga nos campos do Senhor eu a aprendi também com ele, por meio da revista, e essa seção, Gotas de orvalho, foi inspirada em uma seção de mesmo nome da revista À maturidade, da qual freqüentemente publicamos artigos. Ela é um tesouro de preciosidades hoje como era em seu lançamento, 40 anos atrás.

A última citação acima é uma oração do amado irmão Christian, publicada, anonimamente, na seção “Diretamente da escrivaninha do editor – Esquina de comunhão” da revista À maturidade n. 1, publicada no verão de 1977. Ela é, também, a oração de todos os que cooperam com o Campos de Boaz.

Somos muito gratos ao Senhor por ter-nos permitido conhecer a esse amado servo que não fazia questão de ser conhecido. Que o Senhor multiplique os grãos que esse fiel servo colheu e distribuiu entre o povo de Deus nos dias de sua peregrinação.

(Fonte da imagem)

Campos de Boaz: colheita do que Cristo, o Boaz celestial, espalhou em Seus campos é um projeto cristão voluntário sob direção de Francisco Nunes.
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