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Frutífero ou infrutífero

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Os galhos que dão fruto

Há duas coisas notáveis a respeito da videira. Não existe uma planta cujo fruto contenha tanto álcool e da qual o álcool possa ser destilado tão abundantemente, como a videira. Mas também não existe outra planta que possa tão rapidamente tornar-se selvagem, prejudicando sua frutificação; necessitando assim ser podada impiedosamente.

Eu olho de minha janela e vejo grandes vinhas; o principal trabalho do vinhateiro é a poda. Pode haver uma vinha enraizada tão profundamente em terra boa que não necessite ser escavada, adubada ou aguada, mas a poda não pode ser dispensada, para que ela dê bons frutos. Algumas árvores precisam de poda ocasional, outras produzem fruto perfeito sem nenhuma poda, mas a vinha precisa ser podada. Assim, nosso Senhor nos diz logo no inicio da parábola, que o ramo que dá o fruto o Pai “limpa para que produza mais fruto ainda”.

Considere por um momento o que é essa poda ou limpeza. Não é a remoção de ervas daninhas ou espinhos, ou de qualquer coisa de fora que possa impedir o crescimento. Não; é o próprio corte dos longos brotos do ano anterior, a remoção de algo que vem de dentro, que foi produzido pela vida da própria videira. É a remoção de algo que é a prova do vigor de sua vida; quanto mais vigoroso foi o crescimento, maior a necessidade de poda.

É a madeira genuína e sadia que precisa ser cortada. E por quê? Porque ela consumiria demasiada seiva ao encher todos os longos renovos que cresceram no ano anterior; a seiva deve ser poupada e usada apenas para o fruto. Os ramos com 2,5 ou 3 metros de comprimento são cortados bem perto da raiz, e nada é deixado a não ser galhos de 2,5 a 5 centímetros, suficientes para sustentar as uvas. Somente quando tudo o que não é necessário para a produção dos frutos é cortado impiedosamente, e apenas os ramos suficientes para a frutificação são deixados, é que se pode esperar uma boa colheita.

Que lição preciosa e solene! A limpeza do Vinhateiro não se refere apenas ao pecado neste ponto. É nossa própria atividade religiosa, pois ela se desenvolve no próprio ato de dar fruto. É isso que deve ser cortado e limpo. Temos de usar nossos dons de sabedoria, eloqüência, influência ou zelo para Deus. E esses dons estão sempre em perigo de serem indevidamente desenvolvidos e de virmos a confiar neles.

E assim, após cada estação de trabalho, Deus tem de nos levar ao fim de nossas próprias forças, à consciência da inutilidade e perigo de tudo aquilo que é do homem a fim de sentirmos, então, que não somos nada. Tudo o que é deixado de nós é apenas o bastante pra receber o poder da seiva vivificante do Espírito Santo. Aquilo que é do homem deve ser reduzido a seu nível mais baixo. Tudo aquilo que é inconsistente com a mais completa devoção ao serviço de Cristo deve ser removido. Quanto mais completa a limpeza e poda de tudo o que é do “eu”, quanto menor a superfície que o Espírito Santo precisa cobrir, tanto maior será a concentração de todo o nosso ser, a fim de nos colocarmos inteiramente à disposição do Espírito. Essa é a verdadeira circuncisão de Cristo. Essa é a real crucificação com Cristo, trazendo sempre no corpo, o morrer de Jesus.

Bendita limpeza! Bendita poda! A purificação do próprio Deus! Quanto devemos nos regozijar na certeza de que vamos produzir mais fruto.

“Ó nosso Santo Lavrador, limpa e corta tudo o que há em nós e que poderia tornar-se objeto de exibição ou poderia transformar-se em fonte de auto-confiança e jactância. Senhor, mantém-nos humildes, para que nenhuma carne se glorie em Tua presença. Confiamos em Ti para fazer Tua obra.”

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Espere pela colheita!

Esta é uma metáfora singular usada pelo salmista para descrever suas muitas aflições. Você já viu um lavrador arando o campo à maneira antiga? Ele usa um arado de aço extremamente aguçado, e, à medida que o lavrador ara o campo, esse instrumento se enterra no solo, virando os torrões, desnudando o campo e abrindo grandes sulcos. Trata-se de uma descrição bastante acurada da maneira como Deus trata conosco. Queridos amigos, quantas vezes Deus permite que diferentes pessoas, circunstâncias e eventos entrem em nossa vida. E eles penetram em nossa alma como o arado de aço no solo – lavram profundamente nosso dorso e fazem longos sulcos: cortam, reviram, desnudam a alma e a fazem sangrar.

Foi dito acerca de José que sua alma penetrou no ferro (Sl 105.18). Isso se enquadra muito bem na experiência aqui descrita. A cruz corta profundamente e penetra nossa alma, perturbando-nos, colocando-nos desnudos e sangrando diante de Deus e do homem – revelando quais são nossos pensamentos, manifestando aquilo que sentimos e descobrindo qual a nossa vontade. O ferro e o aço penetram em nossa alma. Que experiência penosa!

Sabemos, porém, a razão pela qual o lavrador ara o campo e faz sulcos longos e profundos? Não é por puro prazer que age assim! O lavrador tem um propósito final. Ele ara o campo, abre valetas e faz sulcos longos e profundos com a idéia de plantar sementes e com a esperança de, por fim, fazer uma dourada colheita. A aradura é feita com o intuito de plantar e colher. Quantos mais profundos e longos sulcos tanto mais fácil será plantar mais sementes e fazer uma colheita maior.

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