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Carta de amor a uma lésbica (Jackie Hill)

Jackie Hill

Querida ______,

Apenas quero que você saiba que eu entendo.

Entendo como é estar apaixonada por uma mulher. Querer nada mais do que estar com ela para sempre. Sentindo como se o universo tivesse pregado uma peça sem graça em seu coração ao permitir que você caísse nas mãos de uma criatura que se parece exatamente como você.

Eu também era lésbica. Tinha atração pelo mesmo sexo desde os cinco anos de idade. À medida que eu crescia, esses sentimentos nunca diminuiram. Apenas cresceram. Eu me via tendo quedas pelas minhas melhores amigas, mas tinha muita vergonha para admitir para elas – e muito menos para mim.

Aos 17 anos finalmente tomei a decisão de ir atrás desses desejos. Envolvi-me em um relacionamento com uma jovem que se tornou a minha “primeira”. Na primeira vez que nos beijamos pareceu extremamente natural, como se esse sentimento fosse tudo que eu sempre quis. Depois dela veio outra mulher, e depois outra. Ambos os relacionamentos foram bastante sérios, cada um levou mais de um ano. Curti esses relacionamentos e amei muito essas mulheres. E cheguei ao ponto de desejar renunciar a tudo, inclusive a minha alma, para desfrutar do amor delas na terra.

Em Outubro de 2008, aos 19 anos, minha superficial realidade foi sacudida por um amor mais profundo – um vindo de fora, um sobre o qual eu já tinha escutado antes, mas nunca tinha experimentado. Pela primeira vez, estava convencida do meu pecado de uma maneira que me fez considerar tudo aquilo que eu amava (idolatrava), e suas consequências. Olhei para a minha vida e vi que eu havia estado apaixonada por tudo, exceto por Deus, e que essas decisões iriam, em última instância, ser a minha morte, eternamente. Meus olhos foram abertos, e comecei a acreditar em tudo o que Deus diz em sua palavra. Comecei a crer que aquilo que ele fala sobre pecado, morte e inferno era completamente verdadeiro.

E surpreendentemente, ao mesmo tempo em que a penalidade pelo meu pecado se tornava verdadeira para mim, assim foi com a preciosidade da cruz. Uma visão do Filho de Deus crucificado, suportando a ira que eu merecia, e uma tumba vazia mostrando o poder dele sobre a morte – todas as coisas que antes eu tinha ouvido sem nenhum interesse se tornaram a mais gloriosa revelação de um amor tangível.

Depois de perceber tudo o que eu teria que abrir mão, eu disse a Deus: “Não posso deixar essas coisas e pessoas pelas minhas próprias forças. Eu as amo demais. Mas eu sei que você é bom e forte o suficiente para me ajudar”.

Agora, com 23 anos, posso dizer com toda a honestidade que Deus fez exatamente isso. Ele me ajudou a amá-lo mais do que qualquer outra coisa.

Mas por que estou te contando isso? Eu te dei um vislumbre da minha história porque quero que você entenda que eu entendo. Mas também quero que você saiba que eu também entendo como é estar apaixonada pelo Criador do universo. Querer nada mais do que estar com ele para sempre. Sentir sua graça, a melhor notícia já anunciada para a humanidade. Ver seu perdão, ao ponto dele pegar um coração tão perverso em suas mãos de misericórdia.

Mas com isso em mente, estamos em uma cultura em que histórias como a minha parecem impossíveis ou hilárias, dependendo de quem está ouvindo. A homosexualidade está em todo lugar – da música à TV, até mesmos nos esportes. Se você acreditar em tudo o que a sociedade tem a dizer sobre homosexualidade, você chegaria à conclusão de que é completamente normal, de certa forma até mesmo admirável. Mas isso está longe da verdade. Deus nos diz que a homosexualidade é pecaminosa, abominável e antinatural (Levítico 18.22, 20.13; Romanos 1.18-32, 1 Coríntios 6.9-11; 1 Timóteo 1.8-10). Mas se tivermos que ser honestos, às vezes a atração homosexual pode parecer natural para mim.

Não acho que estou exagerando ao dizer que esse talvez seja seu dilema também. Você vê o que Deus diz sobre homosexualidade, mas o seu coração não pronuncia os mesmos sentimentos. A palavra de Deus diz que é pecaminoso; seu coração diz que se sente bem. A palavra de Deus diz que é abominável; seu coração diz que é agradável. A palavra de Deus diz que é antinatural; seu coração diz que é totalmente normal. Você percebe que há uma clara divisória entre aquilo que a palavra de Deus diz e o que o seu coração sente?

Então em qual voz você deve acreditar?

Houve um tempo em minha caminhada com Cristo onde experimentei muitas tentações para voltar ao lesbianismo. Essas tentações me fizeram duvidar da palavra de Deus. Minhas tentações e desejos começaram a se tornar mais reais do que a verdade da Bíblia. Enquanto eu orava e meditava nessas coisas, Deus colocou essa impressão no meu coração: “Jackie, você precisa crer que minha palavra é verdade mesmo quando ela contradiz a maneira como você se sente”. Uau! É isso! Ou eu creio na palavra dele ou creio em meus próprios sentimentos. Ou olho para ele para encontrar o prazer que minha alma anseia ou busco o prazer em coisas menores. Ou ando em obediência àquilo que ele falou ou rejeito a verdade dele como se fosse uma mentira.

A luta com a homosexualidade é uma batalha de fé. Deus é minha alegria? Ele é bom o suficiente? Ou ainda estou olhando para cisternas rachadas para matar a sede que somente ele pode satisfazer? Essa é a batalha. Essa é a batalha para mim, e para você.

A escolha é sua, minha amiga. Oro para que você coloque sua fé em Cristo e fuja das mentiras da nossa sociedade que coincidem com as vozes do seu coração – um coração que a Escritura diz que é corrupto e enganoso (Jeremias 17.9). Ao invés disso, corra para Jesus.

Você foi feita para ele (Romanos 11.36). Ele é, em última análise, tudo o que você precisa! Ele é bom e sábio (Salmos 145.9). Ele é a fonte de todo conforto (2 Coríntios 1.3). Ele é gentil e paciente (2 Pedro 3.9). Ele é reto e fiel (Salmos 33.4). Ele é santo e justo (1 João 1.9). Ele é o nosso verdadeiro Rei (Salmos 47.7). Ele é o nosso Salvador (Judas 1.25). E ele está te convidando para ser não apenas serva dele, mas também sua amiga. Se amor eterno é o que você está procurando em algum outro lugar, você está perseguindo o vento, procurando o que você nunca irá encontrar, lentamente sendo destruida pela sua busca.

Mas em Jesus, há plenitude de alegria. Em Jesus, há um relacionamento que vale tudo, porque ele é tudo. Corra para ele.

Traduzido por Alex Daher | iPródigo.com | Original aqui

 

Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que informe o autor e o tradutor, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.

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Estudo bíblico Família Francisco Nunes

Um pensamento solto sobre Davi

Hoje fui levado a pensar no fim da vida de Davi, conforme o registro de 1Reis.

O último versículo do livro anterior, 2Samuel, fala de algo glorioso: “E edificou ali Davi ao SENHOR um altar, e ofereceu holocaustos, e ofertas pacíficas. Assim o SENHOR se aplacou para com a terra e cessou aquele castigo de sobre Israel”. Sem dúvida, é uma bela cena. Davi, arrependido de ter ordenado o censo do reino, arrependido por seu erro ter resultado na morte de setenta mil homens do povo, oferece holocaustos ao Senhor na eira de Araúna, que agora lhe pertence, pois ele não ofereceria ao Senhor, seu Deus, holocaustos que não lhe custassem nada (2Sm 24.20).

É uma bela cena para nossa visão das coisas espirituais: temos arrependimento, holocausto, louvor, perdão de Deus… Mas falta algo, não só nessa cena como em muitas outras da vida de Davi: sua família. Davi, mais uma vez, está desacompanhado de sua família: nem uma esposa (havia tantas que podiam estar com ele…), nem um filho (dos tantos…). Por quê?

O resumo de tudo é: Davi foi um fracasso como pai, como marido, como chefe de família. Como este é uma consideração rápida sobre ele, não há como aprofundar isso. Mas basta ler a história do rei de Israel, especialmente depois de 2Samuel 11: o adultério com Bate-Seba trouxe conseqüências, especialmente sobre sua família, da qual a espada nunca se apartou (12.10). Isso significaria que haveria guerras, lutas, desencontros, intrigas, mortes dentro da família, mas isso não explica a omissão de Davi como pai e como marido. Os capítulos 13 a 15 exemplificam isso vergonhosamente: sua omissão no caso de estupro de sua filha Tamar por Amnom, meio-irmão dela (portanto, filho de Davi), sua incapacidade de lidar com a rebelião de Absalão, preferindo fugir covardemente a enfrentá-lo e pô-lo em seu lugar.

E foi esse Davi, o solitário homem cheio de esposas e de filhos, que adorou a Deus na eira de Araúna. Linda cena, mas… vazia. O rei está acompanhado apenas de seus escravos (24.20). Somente os servos ouviram aquela declaração, sobre o preço dos holocaustos, mas nenhum filho, nenhuma esposa. Nenhum deles teve oportunidade de ouvir este princípio tão importante acerca do dar-se ao Senhor, do ser totalmente Dele em Seu serviço. O pai de muitos filhos não tem filhos. O marido de muitas esposas não tem esposa. Só escravos: pessoas que apenas obedecem, que não precisam aprender ou praticar nada. Só seguir seu dono.

Na página seguinte da Bíblia está 1Reis, que inicia dizendo: “Sendo, pois, o rei Davi já velho, e entrado em dias, cobriam-no de roupas, porém não se aquecia” (1.1). Do holocausto à velhice, do sacrifício ao frio, das ofertas ao não se aquecer. O que aconteceu nesse meio tempo? Segundo esse registro, nada. Nada da importante. Nenhum fato digno de nota. Agora há um rei velho, decrépito, cheio de roupas, que não se aquece. A cena deveria ser patética: um velho entrouxado de roupas, cercado de roupas, e tremendo de frio, batendo queixo.

É comum os velhos sentirem mais frio. Lembro-me de meu pai, antes de partir para o Senhor, sempre com seu casacão ou com seu pala de lã, com frio. Mas a cena de Davi era patética por ele ser o rei, uma figura imponente, que deveria inspirar respeito e admiração, e por estar cheio de roupas, exageradamente vestido.

Então, seus escravos tiveram uma idéia:

“Disseram-lhe os seus servos: Busquem para o rei meu senhor uma moça virgem, que esteja perante o rei, e tenha cuidado dele; e durma no seu seio, para que o rei meu senhor se aqueça. E buscaram por todos os termos de Israel uma moça formosa, e acharam a Abisague, sunamita; e a trouxeram ao rei. E era a moça sobremaneira formosa; e tinha cuidado do rei, e o servia; porém o rei não a conheceu” (vv. 2-4).

Quantas coisas há a se considerar nesses poucos versículos!

1. De onde os escravos tiraram essa idéia? Uma mulher que aquece mais que banhos quentes ou lareira ou aquecimento no quarto? Seria isso decorrência da fama de mulherengo de Davi, de sua lascívia, até agora, incontrolável? Seria esta a impressão final que Davi, o da eira de Araúna, passava a seus escravos: “Só uma mulher resolve meu problema”?

2. Por que os escravos se preocuparam com isso, não uma das tantas esposas ou um dos tantos filhos? Onde estão elas? Onde estão eles? Ninguém se preocupa com Davi? A preocupação deles é apenas com o reino (como se vê nos versículos seguintes). O que Davi fez para ser assim desprezado, deixado de lado, no fim da vida. É um velho! Merecia um pouco de atenção. Merecia? Não estaria ele colhendo o que semeou na família: desinteresse, omissão, ausência, destempero emocional…? Um velho friorento entregue pela família às idéias sem pé nem cabeça de seus escravos, que uma vez o viram apresentar holocaustos, mas muitas vezes o viram com mulheres, muitas e variadas.

3. Se a intenção era mesmo apenas encontrar um cobertor humano para Davi, por que procurar “por todos os termos de Israel uma moça formosa” (v. 3)? Ela vai aquecer Davi por ser formosa? Ela não precisava ter outras habilidades para resolver a constante hipotermia do rei? Ou seria mais um enfeite do palácio de Davi como eram as outras esposas? Troféus expostos para ressaltar a virilidade de Davi? E escolheram uma “moça sobremaneira formosa” (v. 4). Uma modelo, uma miss, uma “uau!”. Era preciso mesmo isso? Parece-me apenas um conceito mundano, caído, de que beleza é o principal.

Não são muitos seduzidos (com trocadilho) por essa idéia? Não é imposto, a homens e a mulheres, um padrão, um conceito de beleza? Não são tantas as jovens escravizadas pela anorexia das modelos, pelo raquitismo das que desfilam nas passarelas? Não são tantas as mães que moldam suas filhas desde muito pequenas no padrão adulto de beleza artificial: maquilagem, roupas, erotismo precoce, músicas idiotas sobre “com quem será…”? Não são tantos os jovens cristãos atraídos pela falsa aparência exterior, ignorando a piedade, o “incorruptível traje de um espírito manso e quieto, que é precioso diante de Deus” (1Pe 3.4)?

Voltemos a Davi.

O que me assombrou pela primeira vez, como se a tinta da página ainda estivesse secando, nessa antiga passagem foi a ausência da família. “Davi, o que você fez com sua família?” Agora, o velho Davi tem nos braços uma mulher linda – imagino que a mais linda que ele já viu –, mas ele é velho e friorento. E a Bíblia registra, talvez como um louvor a ele, mas, ao mesmo tempo, para envergonhar sua virilidade, sua fama de conquistador: “Porém o rei não a conheceu” (1Rs 1.4).

Ah, se fosse em outros tempos! Davi, que não respeitou a mulher do próximo, ao preço de matá-lo para ficar com ela, que a fez deitar-se com ele (provavelmente usando sua autoridade imperial sobre os súditos), não teria deixado passar incólume uma moça sobremaneira formosa. Mas agora ele está velho e friorento. Seu corpo está impotente. Sexo, que nunca o satisfez, agora não o satisfaz mais. Mulheres, que eram sua busca, seu alvo, sua certeza de satisfação, agora de nada lhe servem. Ele só queria um banho quente permanente.

Há um detalhe curioso: a Bíblia não registra que Abisague, a tal moça linda, conseguiu aquecer o rei. Diz apenas que ela o servia e cuidava dele (vv. 4, 15). Trocava suas roupas? Trocava-lhe as fraldas geriátricas? Levava-o para o banho? Dava comida na boca? A pergunta surge de novo: “Davi, o que você fez de sua família? Por que nenhuma esposa cuida de você? Por que nenhum de seus filhos cuida de você? Em que você se tornou aos olhos de sua família, Davi? O que sua família se tornou a seus olhos, Davi?” Davi parece sentir-se indigno de pedir o socorro a qualquer de suas esposas ou de seus filhos. É minha inferência, minha leitura do quadro todo. Davi foi rei, com a dignidade real, até o fim, mas, em algum lugar do passado, ele perdeu a dignidade como marido e pai. Agora, está com frio.

Ainda há mais. Por causa da preocupação com o reino, não com o rei, Bate-Seba (sim, aquela com quem ele adulterara e cujo marido ele mandou matar) vai a Davi interceder por Salomão (filho legítimo do casal, pois gerado depois de Davi ter casado com ela). Mas a cena é… desagradável, na falta de outro adjetivo: “E foi Bate-Seba ao rei na sua câmara; e o rei era muito velho; e Abisague, a sunamita, servia ao rei” (v. 15).

Imagine a cena toda: aquele homem havia adulterado com a mulher e matado o marido (honesto, leal, decente, patriótico) dela. Depois, por culpa de seu pecado, o primeiro filho deles morre. Talvez ela tenha pensado que, dada a loucura toda feita em nome do amor (da lascívia é mais exato), Davi a trataria como única, como a preferida, como a especial. Que nada! Em pouco tempo, por onde vai passando, Davi coleciona mais e mais mulheres. Bate-Seba era apenas mais uma, importante, talvez, por ser a mãe de Salomão, o futuro rei. Aquele homem agora é um velho, mas ainda está no comando. Bate-Seba não tem opção: tem de ir a ele. Ao chegar lá, o vê com Abisague, a mulher linda que o serve. Bate-Seba agora é idosa, enrugada; não é mais a mulher bonita que, ao se banhar, atraiu o rei com sua beleza nua. Talvez tivesse sido tão bonita quanto Abisague. Agora é velha e Davi é velho. E seu marido está, mais uma vez, com outra mulher.

E ela não se dirige ao marido: ela fala com o rei, com seu senhor (vv. 16-20). Ela não é a esposa: é a serva (v. 17), não mãe do filho, já que o filho, um servo, é filho apenas do rei (vv. 17, 19).

Com certeza, algumas dessas expressões são justificadas pela cultura palaciana, pelo protocolo real. No entanto, a cena toda é vazia de relacionamentos de amor, de laços de família, de ternura. (Compare com o relacionamento entre Jacó e José.) Davi é um rei só, só numa numerosa família, abandonado por aqueles a quem abandonou.

Por isso, o maravilhoso e incomparável rei Davi termina a vida em um versículo: “E Davi dormiu com seus pais, e foi sepultado na cidade de Davi” (2.10). Ninguém o pranteou, ninguém sentiu falta dele, nenhuma esposa de luto, nenhum filho entristecido. Davi morreu. E ponto.

Ao ler 1Reis e pensar nisso tudo, vieram-me ao coração pensamentos assustadores: “Quem vai cuidar de mim em minha velhice? Quem fará questão de cuidar de mim? O que semeio hoje em minha família? Que colheita vou ter?” O princípio é imutável: colhemos exclusivamente o que semeamos. Davi semeou solidão, omissão, abandono, desinteresse; colheu frio e tremedeira nos braços de uma linda estranha (e nem ela foi chorar sua morte).

O que eu semeio?
O que você semeia?

Ainda é tempo de iniciar uma nova semeadura.

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Você poderá citar e distribuir este texto livremente, para uso exclusivo em publicações gratuitas, desde que não altere seu conteúdo e cite autor e fonte.
© Campos de Boaz 2013.

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Casamento

O evangelho e o casamento (im)perfeito (Winston Hottman)

De acordo com o dicionário, perfeccionismo pode ser definido assim:

Uma disposição para considerar qualquer coisa aquém da perfeição como inaceitável; especialmente o estabelecimento de objetivos absurdamente exigentes acompanhado por uma disposição para considerar o fracasso de alcançá-los como inaceitáveis e um sinal de falta de valor pessoal.

Apesar da necessidade de um pouco mais de nuance, essa descrição serve como uma boa definição. O perfeccionismo não parece ser muita coisa para a maioria das pessoas, e mesmo nós cristãos tendemos a vê-lo como um pecado “respeitável”. A simples verdade é que o perfeccionismo, como qualquer outro pecado, é uma demonstração aberta de orgulho humano. E que fique claro uma coisa: eu sou um perfeccionista.

Sendo cristão, meu tipo de perfeccionismo pode ser um pouco mais sutil por algumas vezes se disfarça de atitude piedosa. Mas mesmo quando o perfeccionismo parece ser direcionado a uma vida piedosa, ele é orgulhoso porque cria uma expectativa para agora do que Deus prometeu realizar apenas no futuro. O perfeccionismo desconsidera a promessa de Deus de nos fazer quem um dia seremos ao tentar, por nossas próprias forças, alcançar o alvo dessa promessa no presente, e por colocar nós mesmos como os juízes supremos de nosso desempenho.

Dependendo de quão bem nós estamos indo aos nossos próprios olhos, o perfeccionismo pode se manifestar em uma variedade de respostas negativas: sentimentos de autodepreciação, preocupação desmedida com a opinião das outras pessoas, medo paralisante, impaciência ou senso de superioridade.

Por mais que eu reconheça minhas tendências perfeccionistas há algum tempo, e esteja confiante de que Deus está me transformando, a verdade é que eu tendo a descontar essa disposição nos meus relacionamentos, e não menos no meu casamento.

O Casamento Perfeito?

Como ávido leitor, eu investi nos anos que precederam meu casamento muito tempo na leitura de livros cristãos sobre casamento e masculinidade. Pude observar muitas verdades e muitos conselhos sábios, mas conforme crescia meu entendimento sobre o que deve ser um casamento, o que era um desejo parcialmente sincero de glorificar a Deus se tornou uma expectativa egocêntrica e irreal. E isso levou ao pensamento de que, se eu tentasse o suficiente, eu poderia alcançar o padrão bíblico de um marido piedoso, ou pelo menos chegaria bem perto. Por sua vez, isso levou à demanda por uma esposa que fosse exatamente o que Deus diz que uma esposa deva ser, e um casamento que representasse perfeitamente a imagem bíblica dessa união.

Mas quando se trata de lutar contra o perfeccionismo no casamento, eu sei que não estou sozinho. Tenho conversado com muitos irmãos cristãos, solteiros e casados, que vivem sob ideias utópicas do que seus casamentos serão ou deveriam ser. Alguns desses passaram anos em uma busca arrogante por potenciais cônjuges à procura daquele par “perfeito” enquanto outros lutam em busca de paciência e contentamento quando seus casamentos não alcançam o padrão que havia sido idealizado.

E enquanto ser solteiro pode muitas vezes acomodar uma autoconsciência inflada de espiritualidade, o casamento garante que as imperfeições de alguém serão expostas, como rapidamente eu descobri quando me casei. Não importa quão bom seja nosso casamento, como o relacionamento mais íntimo que pode haver entre dois seres humanos, ele funciona como um holofote sobre nossos corações, nos possibilitando ver de perto nosso egoísmo na perspectiva da outra pessoa. Ele nos expõe. E, consequentemente, isso é uma forma de demolir nossa pretensa autoconfiança. Vem à tona de forma clara e pessoal a noção por vezes abstrata da depravação humana, nos mostrando a profundidade de nosso egocentrismo. E por mais que todos os princípios certos possam ajudar bastante, eventualmente temos que lidar com a realidade de nossa fraqueza e da fraqueza da pessoa com quem entramos no sagrado pacto matrimonial.

Em outras palavras, Deus está usando meu casamento para destruir meu orgulho.

O Poder do Evangelho

Enquanto princípios, passos e práticas dos conselheiros cristãos a respeito do casamento são muitas vezes úteis e corretos, o evangelho é a verdade mais central em qualquer casamento. Assim como o resto de nossas vidas, é a mensagem da redenção de Deus em Cristo e nossa restauração nele que nos torna possível entender, processar e responder de forma apropriada aos fracassos em nossos casamentos. Isso nos afasta tanto da arrogância pecaminosa que ignora a profundeza de nosso pecado quanto da vergonha pecaminosa que se recusa a aceitar o perdão e as promessas de Deus para nós e para nossos casamentos. No evangelho nós percebemos que, de fato, nossos casamentos serão cauterizados, manchados e bagunçados pelos nossos esforços, mas que nosso Pai está trabalhando em nossos casamentos, através do Espírito, para realizar algo belo ao nos restaurar e restaurar nossos cônjuges à dignidade e glória da imagem do Filho, Jesus Cristo.

Como um recém-casado, eu não tenho nada de novo para propor em termos de aconselhamento matrimonial. Mas se alguém me pedisse conselhos, é isso que eu diria: está tudo bem em aceitar que nem tudo está bem. Complacência? Não. Preguiça? Não. Mas consciência honesta de que você e seu cônjuge são indivíduos pecadores e imperfeitos que, no presente, nunca alcançarão um padrão perfeito, ou até mesmo quase perfeito, de casamento? Sim. E confiança na fidelidade de um todo-poderoso e gracioso Deus que prometeu fazer de nosso casamento o tipo de relacionamento que comunica o amor de Jesus por sua noiva mesmo quando a realidade presente de nossos casamentos parece longe disso? Sim. A questão é em quem você coloca sua esperança e confiança. Parafraseando as palavras do apóstolo Paulo, nossas orações deveriam ser:

Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós, a ele seja a glória em nossos casamentos, na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém!

Traduzido por Filipe Schulz | iPródigo.com | Original aqui

 

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(Fonte)

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Casamento Família Livros

Livro indicado para irmãs

Há algum tempo minha esposa leu um livro em espanhol chamado Creada Para Ser Su Ayuda Idonea: Descubre Como Puede Dios Hacer Glorioso Tu Matrimonio, de Debi Pearl. Sua orientação é absolutamente bíblica e prática, partindo de um princípio simples: faça o que você tem de fazer, pois esta é a vontade de Deus.É um livro dirigido para irmãs casadas, principalmente, mas pode ser lida também por aquelas que querem ter um casamento que traga glória a Deus.Por ser um livro centrado na Bíblia e na vontade de Deus, incomodará feministas, modernistas, liberais, relativistas. A autora crê inegociavelmente que a Bíblia é o padrão absoluto de Deus para a vida cristã em todas as áreas. E ali ela aplica isso específica e enfaticamente às mulheres cristãs casadas. Por isso, eu o recomendo.
Como adquirir a versão impressa
Infelizmente, o livro não tem versão (ainda) em português, apenas em inglês ou espanhol. Ele está à venda na Amazon. Clique aqui para a versão em espanhol e aqui para a versão em inglês.
Para adquiri-lo, você precisará criar uma conta na Amazon.com (não faça na amazon.com.br, pois ela não permitirá comprar livros nos EUA), usando cartão de crédito internacional.
Como adquirir a versão digital
Há também a versão digital, que pode ser lida no PC, em celulares Android ou iPhones, tablets com Android ou em iPads. Ela é mais barata que a versão impressa.
Se você já tem um Kindle, clique aqui (do seu Kindle ou do pc, caso esteja sincronizado) e compre o livro.
Se você quer ler no pc, primeiro clique aqui e instale o programa.
Se você quer ler em outro equipamento (celular, tablet, Mac, etc.), clique aqui e escolha o programa correspondente.
Depois, volte à página da versão Kindle usando o aparelho em que vai ler o livro e compre-a.
Apesar das explicações estarem em inglês, são bastante simples e não oferecem maior dificuldade.
Versão pirata
Há uma versão pirata deste livro na internet, mas por questão de consciência eu não a indico. O livro não é caro, mesmo impresso e enviado para o Brasil. E seu conetúdo vale muito mais do que se paga por ele.
Que o Senhor abençoe ricamente todas que o lerem. E divulguem à vontade essas orientações.
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Casamento Família Santidade Vida cristã

Por que sou contra o namoro (ou Porque Mr. Darcy me cativa) (Drika Vasconcelos)

Relutei muito para postar este texto!

Primeiro, porque ainda tenho muito que aprender e entender sobre todo esse assunto. Escrevo para melhor compreender um assunto. Esse post é um desses casos. Há muitos livros que ainda lerei, muitas referências bíblicas que ainda estudarei e muitos sábios que ainda consultarei.
Segundo, por causa do primeiro, confesso que não estou nem um pouco preparada para responder comentários e críticas sobre o que escrevi aqui. Talvez por isso esteja sendo um pouco precipitada. Mas não pretendo impor minhas ideias; pretendo apenas defendê-las. Caso você discorde, fique a vontade para comentar. Não prometo uma resposta certa, mas uma resposta honesta.
Terceiro, porque não sou madura o suficiente para dar continuidade. Tenho a sensação de que a ideia  está no caminho certo… Mas se um casal de namorados chegar para mim e perguntar o que fazer agora da vida, eu sinceramente não saberia responder. Apontaria para o primeiro pastor e conselheiro sábio que conheço.
Quarto, porque alguém pode dizer ou pensar: “É muito fácil você condenar namoro já estando casada” ou “Você se acha melhor do que nós namorados e que pode nos criticar porque você já está casada?” Mas estariam enganados. O casamento não é o troféu de uma corrida; o casamento faz parte da corrida em si. Cristo é nosso prêmio, e Ele se deu a nós, tanto a solteiros como a casados como a viúvos e divorciados, nos unindo como irmãos e irmãs, que devem se amar e se preocupar pelo bem-estar do outro. Isso inclui o bem-estar relacional.
Quinto, porque simplesmente não tem muito a ver com o tema deste blog: a vida de recém-casadas. Por isso, queridas e amadas leitoras fiéis do blog, peço perdão por fugir um pouco do assunto. Prometo que da próxima vez procurarei escrever sobre minhas aventuras na cozinha! (Aliás, essa semana mesmo aprendi a fazer uns pratos super práticos!)
Tendo dito essas coisas, o objetivo deste texto não é criticar, condenar ou julgar namorados e, sim, o conceito do namoro, até dos mais diferentes dos namoros, sua estrutura (ou falta de), sua funcionalidade e sua utilidade. É sugerir um raciocínio, uma visão diferente sobre a relação namoro-casamento, incentivar o uso do discernimento, o pensamento crítico e, mais importantemente, valorizar o casamento para a glória de Deus, custe o que custar.
É importante primeiro definir os termos. Quando falo namoro, estou me referindo a um relacionamento no qual duas pessoas do sexo oposto se comprometeram pública, romântica, emocional e exclusivamente (com ou sem relações físicas) uma à outra sem compromisso imediato de casamento. Eu acredito que cortejo seja consenso entre duas pessoas do sexo oposto para aprofundarem a amizade e o interesse romântico, sem se comprometerem fisicamente, visando em casamento no futuro próximo. Ao contrário do namoro, o cortejo não pode existir em função de si só, mas existe apenas em função de um futuro casamento. As pessoas cortejam para casar e não por cortejar. Noivado é quando há compromisso público de casamento, que é algo bíblico. Assim como cortejo, o noivado não existe em função de si mesmo, mas em função do casamento.
O que então são minhas razões para discordar do namoro?
  1. Não há limites definidos para o começo ou fim de um namoro. Hoje em dia, a mania é dizer que namoro só começa de verdade quando você “oficializa” no Facebook. O término é pior ainda. É comum ouvir também: “Eu acho que a gente acabou… Mas não tenho certeza. Ele ainda me liga, a gente se gosta…” ou “A gente tá namorando então?” ou “Então já posso te chamar de namorado/a?” ou “Estamos dando um tempo” ou “A gente tava ficando mas a coisa se tornou mais séria. Acho que já estamos namorando.”
  2. O namoro é desestruturado por natureza. Não há regras para o namoro. Os pastores e conselheiros com certeza tentam estabelecer regras e parâmetros, desesperados para guiar os jovens pelo parque de diversões sem comprometerem sua pureza, mas, sem uma orientação mais clara da Bíblia e sem a autoridade da mesma, dificilmente alguém dá ouvidos. Eu, pessoalmente, sou péssima para dar conselho sobre namoro porque não posso dizer nada bíblico a não ser “mantenha a pureza” e “ame ao seu próximo como a si mesmo”. O resto é psicologia, senso comum, opinião própria, fofoca e conceitos estabelecidos pela cultura.
  3. O namoro é um espaço que incentiva você a ver até onde pode ir fisicamente. Oferece uma falsa ilusão de que você pode se manter puro mesmo provocando aquilo que facilmente te dominará. O namoro te dá uma arma e diz: “Pode brincar.”
  4. Namoro dá espaço para “enrolar” sem culpa. “Estamos namorando pensando em casamento.” Só pensando? Se você está solteiro, não está namorando e quer casar, o primeiro passo não é arrumar uma namorada(o), não! É virar homem/mulher de verdade, aprofundar-se no seu amor por Deus e criar condições financeiras para poder se casar. Na Bíblia, não há muito requisito específico para quem quer casar, mas está escrito: “Deixará o homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher, e serão dois numa só carne.” Primeiro, precisa ser homem de verdade e não criança. Segundo, precisa deixar pai e mãe, e só no final o homem se unirá a sua mulher. E só depois de tudo isso que se tornarão dois numa só carne. Qualquer outra ordem dessas etapas me parece ser uma distorção. No entanto, hoje em dia, todo mundo é incentivado a encontrar namorado e namorada antes de sequer ter a maturidade para lidar consigo mesmo.
  5. O namoro existe em função de si mesmo. Ele não necessita compromisso futuro para existir. Nem mesmo aqueles nos quais há sonhos de casamento. Ele não depende de casamento, noivado, nem qualquer outra promessa, apenas de si mesmo. Se namoro existisse em função do casamento, ele seria mais direcionado, objetivo e mais curto, entre outras coisas, pois o objetivo não seria namorar, mas casar.
  6. Namoro pode destruir laços de amizade. Enquanto casamento fornece um ambiente seguro para se desenvolver um relacionamento entre um casal de amantes e amigos, o namoro põe a amizade em cheque e, muitas vezes, a destrói com seu fim. Me lembro de um episódio de Smallville, no qual Clark Kent está pedindo Lana Lang em namoro e ela pergunta, “E a nossa amizade? Como fica? Ela sobreviverá esse relacionamento?” Será que Deus aprovaria algo que colocaria a amizade e o amor entre dois irmãos em Cristo em cheque? Mais uma coisa para se pensar!
  7. Por tudo isso, o namoro é compromisso sem compromisso. Nossos corpos prometem coisas que talvez não poderemos cumprir. Não há nada que o sustente a não ser a paixão de um pelo outro e, se em alguma altura um perder essa paixão, não há nada que mantenha os dois juntos. Portanto, além de ser um ensaio para casamento, também pode ser um ensaio para divórcio. É só vermos como nos referimos à família do namorado(a): sogra, sogro, cunhada, etc. ou então, quando terminamos: ex-sogra, ex-sogro, etc.
  8. Consequentemente, namoro abre espaço para “ver se dá certo”. Transforma as pessoas em roupas que devem ser provadas antes de serem compradas. “Vamos terminar, a gente não dá certo.” “Tem outra pessoa nesse mundo melhor para você do que eu.” E então, a pessoa nesse sistema pode passar por vários pseudo-casamentos até escolher o “certo”.
  9. O namoro serve muitas vezes como um tapa-buraco. Somos seres carentes. Não queremos estar sozinhos, então arrumamos alguém para “estar lá”, sem ter que abrir mão da vida de solteiro. Muitas vezes, em vez de procurarem aprofundar seu relacionamento com Deus e permitir que Ele supra essa carência, os cristãos procuram suprir esse vazio com um outro alguém. Relacionamentos são dádiva de Deus, mas qualquer um que nos tira a atenção do nosso relacionamento com Deus é um ídolo na nossa vida.
  10. Namoro rouba o cristão de seu tempo valioso como solteiro. A Bíblia nos diz que o solteiro serve ao Senhor muito mais eficientemente do que o casado pois não precisa cuidar de uma família. Como solteiro, você tem o tempo e a disposição e a liberdade para servir ao Senhor da melhor forma possível, sem ter a obrigação de cuidar de uma esposa ou um marido. No namoro, apesar de estarem solteiros legalmente e diante de Deus, os namorados se tratam como esposa e marido, exigindo tempo juntos, atenção, afeto, carinho, etc. e se roubam muitas vezes mutuamente do tempo que o outro poderia estar usando para servir melhor ao Senhor.
  11. Namoro desvaloriza o processo de maturação. Existem alguns pássaros cujo ritual de corte envolve os machos construindo o melhor ninho possível para então conquistar a fêmea. E os machos precisam aprender e adquirir experiência, construindo muitos ninhos até acertarem e conquistarem suas parceiras. Talvez poderíamos, além de aprender com a formiga, aprender com esses pássaros. O namoro no conceito de hoje rouba tanto o homem quanto a mulher desse processo precioso. Desvaloriza o processo de aprendizagem e maturação do homem que precisa se preparar para liderar e sustentar o lar. Afinal, se já conquistei a mulher, qual é a pressa? Além disso, incentiva as mulheres a escolherem seus homens precipitadamente. O critério da escolha muitas vezes é beleza, compatibilidade, maturidade falsa, tudo menos a capacidade de, de fato, ser um marido. Por isso, talvez não seja a melhor das ideias os pais usarem uma idade como critério para o namoro dos filhos, mas, sim, a maturidade, capacidade e desejo de ser uma boa esposa ou um bom marido. É uma boa ideia também ficarem de olho nos pretendentes das suas filhas para verem não se “é um bom menino” mas se “será um bom marido”.
  12. A Bíblia não fala de namoro, mas sim de casamento. Se o casamento é uma representação da aliança de Cristo com a Igreja, tudo que se refere, fala de, ou está ligado ao casamento deve ser submetido à luz deste conceito. O que seria o namoro nessa representação? Será que Cristo passaria um tempo de intimidade conosco para ver “se daria certo” antes de se comprometer? Por que então nós adotamos esse hábito?
  13. Deus é um Deus de pacto e aliança, não só de palavra. Ele nos mostra Seu amor por nós através da segurança de uma aliança. No caso de um compromisso desta proporção, de nada adianta você dizer que estará com a pessoa para sempre se não pactuar isso.

Vale a pena pensar sobre isso… Por que achamos que é necessário namorar para casar? É a Bíblia ou a sociedade que dita isso? O que será que a glória do namoro tem feito com a glória do casamento? Talvez seja hora de levarmos isso mais a sério. A ideia de namoro não precisa ser somente repensada e redimida. Talvez seja necessário trocá-la completamente por algo que glorifique o casamento para a honra de Cristo de todas as maneiras possíveis, algo que o namoro por natureza, falta de estrutura, regras e limites é incapaz de fazer.

Hoje em dia, querer evitar namoro é constrangedor e difícil. Isso porque já são poucas as pessoas que pensam assim, e namoro é tão comum que há o medo de que se você não pegar seu prêmio rápido, você o perderá para outros.
A pergunta que não quer calar: Como casar sem namorar? Como saber que ela ou ele é a pessoa “certa” para casar?
A resposta talvez não seja tão simples, mas começa assim: O namoro pode nos ensinar de relevante sobre uma pessoa que uma boa amizade não pode? A amizade nessa época é o que mais precisa ser cultivada. Cristo nos chamou de amigos! Conheçam-se, conversem, troquem ideias, discutam, saiam juntos com outros e cultivem uma amizade madura. Há tantas brigas e desentendimentos que podem ser evitados no casamento se houver uma boa base de amizade. O marido deveria ser o melhor amigo da esposa e a esposa a melhor amiga do marido. Claro, não estou descartando o interesse romântico, o estar “apaixonado”. Hoje em dia, na nossa cultura, não há motivo para se casar se você não tiver interesse romântico na pessoa. Mas uma paixão madura e duradoura no casamento é fruto de uma boa amizade.
Sou tendenciosa, mas a ilustração perfeita para isso é o meu filme/livro predileto: Orgulho e Preconceito, de Jane Austen, no qual o galante Mr. Darcy e a obstinada Elizabeth passam por todo um processo estranho de conhecimento e reconhecimento um do outro, no final do qual se tocam no quanto o outro é maduro e possui bom caráter e que estão apaixonados. E vão direto ao casamento! Sem namoro! Wow! Muitos chamam isso de cortejo e é uma opção muito válida!

Conclusão? Acredito que o namoro seja totalmente desnecessário para um casamento feliz. Não só isso, mas atrevo-me a dizer que talvez o namoro seja mais prejudicial ao casamento do que eu imaginava. Será que seria possível a construção pelas igrejas e famílias de um novo conceito de relacionamento pré-matrimonial, mesmo numa sociedade que com certeza nos taxará de antiquados e loucos? A mudança se dá aos poucos.

(Fonte)

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O cristão pode apoiar a prostituição? (Vincent Cheung)

“Finalmente, irmãos, vos rogamos e exortamos no Senhor Jesus, que assim como recebestes de nós, de que maneira convém andar e agradar a Deus, assim andai, para que possais progredir cada vez mais. Porque vós bem sabeis que mandamentos vos temos dado pelo Senhor Jesus. Porque esta é a vontade de Deus, a vossa santificação; que vos abstenhais da prostituição; que cada um de vós saiba possuir o seu vaso em santificação e honra; não na paixão da concupiscência, como os gentios, que não conhecem a Deus. Ninguém oprima ou engane a seu irmão em negócio algum, porque o Senhor é vingador de todas estas coisas, como também antes vo-lo dissemos e testificamos. Porque não nos chamou Deus para a imundícia, mas para a santificação. Portanto, quem despreza isto não despreza ao homem, mas sim a Deus, que nos deu também o seu Espírito Santo.”
(1 Tessalonicenses 4.1-8)

[É muito claro que em 1 Tessalonicenses 4, em seu início, o apóstolo Paulo está afirmando com toda autoridade dada por Deus que] A imoralidade sexual é a norma de conduta para não-cristãos. Paulo chama-nos a pensar de forma diferente, para viver de modo diferente, e distinguir-se dos incrédulos, que não conhecem a Deus.

Devemos mencionar isso uma e outra vez, porque o diabo é como um leão que ruge, procurando a quem possa tragar. É vital para a sobrevivência e progresso espiritual nos manter alerta e vigilante. Na falta desta vigilância, muitas famílias cristãs e congregações foram infiltradas por crenças e práticas não-cristãs. Alguns já perderam a sensibilidade para a imoralidade entre eles e em volta deles. Então, quando alguém desperta para a ordem divina e parte para combater a imoralidade, logo é ironicamente criticado e perseguido.

É  desnecessário salientar que só porque um pecado é comum não significa que não é um pecado. Quando consideramos o que a Escritura diz sobre esta questão da imoralidade sexual, torna-se óbvio que muitos cristãos não são diligentes o suficiente em proclamar os mandamentos de Deus.

Se a admoestação dos cristãos é rara e fraca para condenar a imoralidade sexual com ameaças de punição divina (v.6b) isto deve ser considerado social e eclesiasticamente inaceitável. Nenhum covarde é qualificado para proclamar a palavra de Deus, e infelizmente, poucos são qualificados.

Esse tipo de pregação é boa e necessária, e Paulo confere-nos a autoridade que precisamos (v.6c). Não faz diferença se a pessoa é um adúltero, um fornicador, uma prostituta, um homossexual ou alguma outra pessoa pervertida. Paulo escreve que Deus vai punir os homens de todos esses pecados. E acrescenta, “como já lhe dissemos e advertimos ” (1Ts 4.6c). O tema assume um lugar de destaque nos ensinamentos éticos do apóstolo, e ele considera digno de repetição, acompanhado de ameaças. O versículo 6 é melhor traduzido, “o Senhor é vingador em todas estas coisas “.  Isto é dito no contexto da declaração anterior.

Em outras palavras, Deus tomará para si a vingança. Portanto, é nada menos do que uma negligência grosseira do dever quando um ministro cristão falha em declarar a ordem de Deus sobre esta questão, e para isso exorta com ameaças. A Bíblia obriga-nos a pregar: “Se você cometer adultério, Deus vai puni-lo. Se você é um homossexual, Deus vai fazer você sofrer, Deus é o vingador. Ele vai destruir sua vida por trair seu cônjuge, Ele vai torturar você para sempre no inferno”. Quem pensar que isto é falso ou uma dura e desnecessária pregação cristã deve começar a ler a Bíblia. Nada menos que isso não é toda verdade. Este é o cristianismo: tomá-lo e obedecer-lhe ou deixá-lo e sofrer.

Está na moda pregar compreensão, compaixão, reconciliação [ecumênica],  e assim por diante, para adúlteros e homossexuais. A Escritura não fala sobre a imoralidade sexual dessa maneira. Ela define e mantém o padrão rigoroso de Deus sobre a questão e condena todos aqueles que transgridem. Há de fato perdão em Jesus Cristo, mas perceba que Paulo está alertando especialmente os cristãos, então que ninguém se ache no direito de parodiar o perdão divino.

Se quisermos refletir a ênfase bíblica sobre este assunto, então é necessário que multipliquemos as acusações e condenações em nossa pregação, em vez de evitar ou reduzir o assunto.

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Proteja seu casamento

Muitas vezes um casamento vai bem, e acaba abalado por causa de um relacionamento inesperado com uma terceira pessoa. Começa de maneira inocente e agradável, torna-se cada vez mais envolvente. Por fim, traz complicações e desgraças para muita gente.

Não foi um acidente ou ”um grande amor que surgiu”. Foi um relacionamento do qual o casamento deveria ter sido protegido. Não seja ingênuo pensando que isto só acontece com os outros. Muita gente boa já caiu exatamente por ser ingênua assim. Lembre-se de 1 Coríntios 10.12: “Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia”. Por isso, proteja eu casamento… Eis algumas dicas:

§ Tenha bom senso com suas companhias
Evite gastar tempo desnecessário com alguém do sexo oposto. Muitos casos surgem por não se agir assim. Um executivo precisa de aulas particulares de inglês e contrata uma jovem professora. Contrate um homem. Não significa que cada contato com alguém do sexo oposto seja porta para o adultério. Significa evitar oportunidades para cair. Companhia contínua cria intimidade. Intimidade com o sexo oposto traz problemas.

§ Tome cuidado com as confidências
A pessoa mais íntima de alguém deve ser seu cônjuge. Segundo a Bíblia, são “uma só carne”, isto é, uma só pessoa. Se há aspectos de seu relacionamento que você não pode compartilhar com esposo(a) e compartilha com alguém do sexo oposto, a coisa está ruim. As pessoas tendem a se solidarizar com quem sofre e a proximidade emocional se torna perigosa. Um homem que se queixa de sua esposa para outra mulher está traçando um caminho perigoso. Isto vale para quem faz e para quem ouve confidências.

§ Evite momentos a sós
Decida não ter momentos privados com alguém do sexo oposto. Se um(a) colega de trabalho pedir para ter um almoço com você, convide uma terceira pessoa. Se necessário, não se constranja em compartilhar os limites que você e seu cônjuge concordaram ter no seu casamento. É melhor ser visto como rude que vir a cair em pecado.

§ Vigie seus pensamentos
Cuidado com o que pensa. Se você só se detém nos defeitos de seu cônjuge, qualquer outro homem ou mulher parecerá melhor. Faça uma lista das coisas que inicialmente lhe atraíram em seu cônjuge. Aumente o positivo e diminua o negativo. Evite filmes, conversas, sites e literatura que apologizam o adultério. Lembre de Colossenses 3.2: “Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra”.

§ Evite comparações
Um homem trabalha com uma mulher perfumada, maquiada, bem vestida. Em casa encontra a esposa, com criança no colo, cabelo desfeito, banho por tomar. Uma mulher encontra um homem compreensivo com quem pode se abrir, e se sente mais à vontade com ele do que com o esposo. Ignoraram situações e contextos diferentes. Foram iludidos pelo irreal. Lembre-se do pródigo: o mundo lhe era fascinante, mas terminou num chiqueiro. As aparências iludem, porque o mundo em que vivemos em casa é o real. O mundo de relacionamentos fora de casa é sempre artificial.

§ Evite a síndrome do retorno
É a idéia de que a vida sentimental e sexual caiu na rotina, e agora, a pessoa “renasceu”. Já vi inúmeros casos assim: “Eu renasci”, ou “Eu me senti jovem de novo”. Não banque o adolescente. Você é um adulto com responsabilidades e com uma pessoa com quem partilha a vida. Construa sua vida com seu cônjuge. Se sua vida conjugal se “fossilizou”, há outros caminhos. Revigore-a com seu cônjuge. Há pessoas que sempre se fossilizam e pulam de relacionamento em relacionamento, procurando o que não produzem. Temos o que produzimos.

§ Ponha o coração no seu lar
A solidez do casamento vem pelo tempo que os cônjuges gastam juntos. Conversas, risos, passeios, programas comuns. Se você não sai com seu cônjuge, marque datas para os próximos meses. Vocês devem ter um ao outro como o melhor companheiro. Mantenham o clima de namoro: querer estar junto com a pessoa. Orem juntos. Dificilmente duas pessoas que oram juntas brigarão entre si. Sejam parceiros espirituais.

§ Invista em seu cônjuge
O marido da mulher virtuosa é conhecido quando se levanta em público (Pv 31.23). A idéia é que ele está bem vestido e vê o caráter dela pela roupa dele. Uma boa esposa é um bom tesouro (Pv 18.22). De bom tesouro cuida-se e evita-se perdê-lo. Marido: mulher bem tratada é um grande investimento; o retorno emocional é garantido. Mulher: marido bem tratado é um grande investimento; o retorno emocional é garantido.

§ Busque ajuda
Havendo problemas, busque ajuda. Primeiro em Deus. Lembre-se de Tiago 1.5: “Se porém, algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e nada lhes impropera; e ser-lhe-á concedida”. Busque orientação de pessoas mais experientes . Evite que o problema se avolume. Evite conselhos de gente que não tem o que dizer. Os amigos de Roboão lhe deram maus conselhos (1Rs 12.6-12). Nesta busca de ajuda, evite por mais lenha na fogueira. Evite também raiz de amargura (Hb 12.15). Busque ajuda e não um juiz a seu favor.

§ Conclusão
Bons casamentos não acontecem por acaso. São produto de muito trabalho e da graça de Deus. Boa parte do trabalho é investimento emocional no relacionamento conjugal. “Vender a alma” para o cônjuge. Mas investir sem proteger é problemático. É preciso levantar cercas contra os problemas externos, porque os internos são mais vistos e os dois os vivenciam. Não permita brechas. Não dê armas ao inimigo.”

(Publicação do Jornal Ágape de Limeira -SP – 2ª quinzena de janeiro/2011)

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Culto doméstico

Essa é uma prática antiga entre o povo de Deus, importante para manter famílias e igrejas firmes, mas, infelizmente, quase banida dos lares cristãos hoje. São muitas as razões (ou desculpas). Sei que não é tarefa fácil começar, manter e fazer atraente o culto doméstico, mas é necessário. Se imaginamos que nossos filhos um dia decidirão seguir o Senhor sem que nós O tenhamos apresentado como Alguém real, importante, vivo, agradável e que faz parte da vida de todo dia, estamos arriscando o destino (nessa vida e na próxima) deles.

Encontre hoje este arquivo em pdf, chamado “Culto Doméstico”, de Joel Beeke. Leia, estude e pratique. Seus filhos e sua família agradecerão pela eternidade.

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Sobre a educação dos filhos (John Wesley)

‘Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele’. (Provérbios 22:6)

1. Nós não devemos imaginar que essas palavras devam ser entendidas, em um sentido absoluto, como se nenhuma criança que tivesse sido instruída no caminho em que ela deveria ir, jamais tenha se afastado dele. Os fatos, de modo algum, irão concordar com isto: Ao contrário, tem sido uma observação comum, que ‘alguns dos melhores pais têm os piores filhos’. É verdade, este poderia ser o caso, porque, algumas vezes, homens bons, nem sempre têm um bom entendimento, e, sem isto, dificilmente se deve esperar que eles vão saber como instruir seus filhos. Além disto, estes que são, em outros aspectos, homens bons, têm freqüentemente muito mais comodidade de temperamento; de modo que eles não vão restringir seus filhos do mal, além do que o velho Eli fez, quando ele disse gentilmente: ‘Não, meus filhos, o relato que ouvi de vocês não é bom’.

(I Samuel 2:22-23) Era, porém, Eli já muito velho, e ouvia tudo quanto seus filhos faziam a todo o Israel, e de como se deitavam com as mulheres que em bandos se ajuntavam à porta da tenda da congregação. E disse-lhes: Por que fazeis tais coisas? Pois ouço de todo este povo os vossos malefícios. Não, filhos meus, porque não é boa esta fama que ouço; fazeis transgredir o povo do Senhor’. Esta, então, não é uma contradição à afirmação; porque seus filhos não foram ‘instruídos no caminho onde deveriam ir’. Mas deve-se reconhecer que alguns têm sido instruídos com todo cuidado e diligência possível; e, ainda assim, antes que se tornem idosos; sim, no vigor da idade, eles se separam extremamente dele.

2. As palavras, então, devem ser entendidas com alguma limitação, e, então, elas conterão uma verdade inquestionável. Trata-se de uma promessa geral, embora que não universal; e muitos têm encontrado um feliz cumprimento dela. Como este é o método mais provável, que alguns pais podem adotar, para tornar seus filhos devotos, então, ele geralmente, embora que não sempre, atende com o sucesso desejado. O Deus de seus antepassados está com seus filhos; Ele abençoa a diligência deles, e eles têm satisfação em deixar sua religião, tanto quanto seus bens mundanos, para aqueles que descendem deles.

3. Mas qual é ‘o caminho em que uma criança deve seguir?’; e como nós devemos ‘instruí-la’ nele: O alicerce disto é admiravelmente bem colocado pelo Sr. Law, em seu ‘Um Chamado Sério para uma Vida Devota’. Partes de suas palavras é: –

“Tivéssemos continuado perfeitos, como Deus criou o primeiro homem, talvez, a perfeição de nossa natureza tivesse sido uma auto-instrutora suficiente para cada um. Mas assim como as enfermidades e doenças têm criado a necessidade de medicamentos e médicos, então, as desordens de nossa natureza racionais têm introduzido a necessidade de educadores e tutores”.

“E como a única finalidade de um médico é restaurar a natureza ao seu estado próprio; então, a única finalidade da educação é restaurar nossa natureza racional ao seu estado apropriado. Educação, portanto, deve considerada como razão usada como segunda-mão, para, tanto quanto ela puder, suprir a perda da perfeição original. E, como a Medicina pode justamente ser chamada de a arte de restaurar a saúde; então, a educação pode ser considerada, sob outro aspecto, como a arte de recuperar, para o homem, a sua perfeição racional”.

“Este foi o objetivo diligenciado, pelos jovens que atenderam junto a Pitágoras, Sócrates e Platão. As lições e instruções diárias deles eram tantas preleções sobre a natureza do homem; sua finalidade verdadeira, e o correto uso de suas faculdades; sobre a imortalidade das almas; sua relação com Deus; a concordância da virtude com a natureza divina; sobre a necessidade da temperança, justiça, misericórdia, e verdade; e a insensatez de favorecer nossas paixões”.

“Agora, como o Cristianismo tem criado, por assim dizer, o novo mundo moral e religioso, e estabelecido tudo que é razoável, sábio, santo e desejável em seu ponto de vista verdadeiro; então, alguém poderia esperar que a educação dos filhos pudesse ser tão melhorada pelo Cristianismo, como as doutrinas da religião são”.

“Como ele introduziu um novo estado de coisas, e nos informou tão completamente da natureza do homem, e a finalidade de sua criação; como ele tem fixado todas as nossas bondades e maldades, nos ensinado os significados de purificar nossas almas, de agradar a Deus, sermos felizes eternamente; alguém poderia naturalmente supor que cada região cristã afluiu com escolas, não apenas para ensinar poucas questões e respostas de um catecismo, mas para formar, instruir e treinar as crianças, em tal curso da vida como as doutrinas mais sublimes do Cristianismo requerem”.

“E a educação sob a orientação de Pitágoras ou Sócrates teve nenhuma outra finalidade, a não ser ensinar as crianças a pensarem e agirem como Pitágoras e Sócrates faziam”.

“E não é razoável supor que uma educação cristã possa ter nenhuma outra finalidade, a não ser ensinar a elas como pensarem, julgarem, e agirem de acordo com as regras mais rigorosas do Cristianismo?”.

“De qualquer forma, alguém poderia supor que, em todas as escolas cristãs, o ensiná-las a começar suas vidas no espírito do Cristianismo, — em tal abstinência, humildade, sobriedade e devoção, como o Cristianismo requer, — não deveria ser apenas mais; mas cem vezes mais, considerado, mais ainda, que todas as outras coisas”.

“Porque aqueles que nos educam imitam nossos anjos guardiões; sugerem nada para nossas mentes, a não ser o que é sábio e santo; nos ajudam a descobrir todo julgamento falso de nossas mentes, e a conquistar toda paixão errada em nossos corações”.

“E é tão razoável esperar e requerer todo este benefício de uma educação cristã, como requerer que o médico possa fortalecer tudo o que é certo em nossa natureza, e remover todas as nossas doenças”.

4. Que seja cuidadosamente lembrado, todo este tempo, que Deus, e não o homem, é o médico das almas; que é Ele, e ninguém mais, que dá o medicamento para curar nossa doença natural; que toda ‘a ajuda que é feita sobre a terra, é Ele quem faz’; que nenhum dos filhos dos homens é capaz de ‘trazer uma coisa limpa do que é sujo’; e, em uma palavra, que ‘é Deus quem opera em nós, o desejar e o fazer o que lhe agrada’. Mas é geralmente seu prazer trabalhar pelas suas criaturas; ajudar o homem através do homem. Ele honra os homens para serem, em um sentido, ‘trabalhadores junto com Ele’. Por esses meios, a recompensa é nossa, enquanto a glória resulta para Ele.

5. Isto sendo estabelecido como premissa, com o objetivo de ver distintamente qual é este caminho, em que nós devemos instruir uma criança, vamos considerar: Quais são as doenças de sua natureza? Quais sãos essas doenças espirituais que cada um que é nascido de uma mulher traz consigo para o mundo?

A primeira, não se trata do Ateísmo? Afinal, isto tem sido tão plausivelmente escrito, concernente ‘a idéia inata de Deus’; afinal, isto tem sido dito de sua existência comum a todos os homens, em todas as épocas e nações; não parece que o homem tem naturalmente alguma idéia a mais de Deus, do que alguma das bestas do campo; afinal, ele não tem conhecimento de Deus; nem temor de Deus; nem Deus está em todos os seus pensamentos. Qualquer que possa ser a mudança a ser forjada, mais tarde, (se pela graça de Deus, ou pela sua própria reflexão, ou pela educação); pela sua natureza, ele é um mero Ateísta.

6. De fato, pode ser dito que todo homem, pela sua natureza, é, por assim dizer, seu próprio deus. Ele adora a si mesmo. Ele é, em sua própria concepção, absoluto Senhor de si mesmo. O herói de Dryden [O grande poeta inglês, John Dryden, nasceu em 09 de Agosto de 1631] fala apenas de acordo com a natureza, quando ele diz: ‘Eu mesmo sou o rei de mim’. Ele busca a si mesmo em todas as coisas. Ele agrada a si mesmo. E, por que não? Quem é o Senhor sobre ele? A sua vontade própria é sua única lei; ele faz isto ou aquilo, porque é do seu bom prazer. No mesmo espírito, como o ‘filho da manhã’ diz do velho tempo, ‘Eu irei ocupar os lados do Norte’, diz ele, ‘Eu farei desta ou daquela maneira’. E nós não encontramos homens conscientes, de todos os lados, que são do mesmo espírito? Que, se perguntados, ‘Por que vocês fizeram isto?’, irão rapidamente responder, ‘Porque eu estava decidido a fazê-lo’.

7. Uma outra doença, que toda alma humana traz consigo para o mundo, é o orgulho; uma propensão contínua para pensar em si mesmo mais altamente do que deveria. Cada homem pode discernir, mais ou menos dessa doença em cada um – a não ser em si mesmo. E, realmente, se ele pudesse discerni-la em si mesmo, ela não iria subsistir muito tempo, porque ele iria, então, em conseqüência, pensar de si mesmo, justamente como deveria pensar.

8. A próxima doença natural a cada alma humana, nascida com cada homem, é o amor ao mundo. Cada homem é, pela natureza, um amante da criatura, em vez do Criador; um ‘amante do prazer’, de todo tipo, ‘mais do que um amante de Deus’. Ele é um escravo dos desejos tolos e danosos, de um tipo ou de outro, tanto para o ‘desejo da carne, o desenho dos olhos, quanto do orgulho da vida’. ‘O desejo da carne’ é uma propensão a buscar felicidade no que gratifica um ou mais dos sentidos exteriores. ‘O desejo dos olhos’, é a propensão a buscar a felicidade no que gratifica o sentido interno da imaginação, quer pelas coisas grandiosas, ou novas, ou belas. ‘O desejo da vida’ parece significar uma propensão a buscar felicidade no que gratifica o senso de honra. A este assunto, usualmente se refere, ‘o amor ao dinheiro’, uma das paixões mais básicas que pode ter lugar no coração humano. Mas pode-se duvidar, se esta não é uma intemperança adquirida, em vez de uma doença natural.

9. Quer isto seja uma doença natural ou não, o certo é que a ira é. O filósofo antigo a defina como ‘um sentido da injúria recebida, com um desejo de vingança’. Agora, existiu alguém nascido de uma mulher que não se afligiu debaixo disto? Na verdade, como outras doenças da mente, ela é muito mais violenta em uns, do que em outros. Porém é um furor breve, como fala o poeta; é uma loucura real, embora que breve, onde quer que esteja.

10. Um desvio da verdade é igualmente natural a todos os filhos dos homens. Alguém disse em sua precipitação, ‘Todos os homens são mentirosos’; mas nós podemos dizer, numa reflexão moderada: Todos os homens naturais irão, numa tentação pessoal, mudar, ou dissimular a verdade. Se eles não transgredirem a veracidade; se eles não disserem o que é falso; ainda assim, eles freqüentemente irão transgredir a simplicidade. Eles usam de artimanhas; eles expõem cores falsas; eles praticam tanto a simulação, quanto a dissimulação. De modo que você não pode dizer verdadeiramente de alguma pessoa viva, até que a graça tenha alterado a natureza, “Observe um israelita, em quem, de fato, não existe fraude!”. (João 1:47) ‘Jesus viu Natanael vir ter com ele, e disse dele: Eis aqui um verdadeiro israelita, em quem não há dolo’.

11. Cada um é igualmente propenso, pela natureza, a falar ou agir contrário à justiça. Esta é uma das doenças que nós trazemos conosco para o mundo. Todas as criaturas são naturalmente parciais a si mesma, e, quando a oportunidade oferece, têm mais consideração ao seu interesse ou prazer próprios do que a justiça estrita permite. Nem algum homem é, pela natureza, misericordioso, como nosso Pai celeste é misericordioso; mas todos, mais ou menos transgridem aquela regra gloriosa da misericórdia, assim como justiça: ‘O que quer que queira que os homens façam a você, faça o mesmo a eles’.

12. Agora, se essas são as doenças gerais da natureza humana, não é a grande finalidade da educação curá-las? E não cabe a todos esses a quem Deus tem confiado a educação dos filhos, tomar todo cuidado possível, primeiro, para não aumentar, não alimentar alguma dessas doenças, (como a generalidade dos pais constantemente fazem), e, depois, usar todos os meios possíveis para curá-las?

13. Para ser mais específico. O que os pais podem fazer, e as mães mais especialmente, para cujos cuidados nossas crianças estão necessariamente comprometidas em suas tenras idades, com respeito ao Ateísmo que é natural a todos os filhos dos homens? Como isto é alimentado, pela generalidade dos pais; mesmo aqueles que amam, ou, pelo menos, temem a Deus; quando eles passam horas, talvez dias, com seus filhos, e dificilmente mencionam o nome Dele! Neste meio tempo, eles falam de milhares de outras coisas no mundo que estão em volta deles. E as coisas do mundo atual, que circundam essas crianças, não irão, então, naturalmente tomar seus pensamentos, e colocar Deus a uma distância maior deles (se isto for possível) do que Ele estava antes? Os pais não alimentam o Ateísmo de seus filhos, mais além, atribuindo as obras da criação à natureza? Não é a maneira comum de falar a respeito da natureza deixar Deus completamente fora da questão? Eles não alimentam essa doença, quando quer que eles falem, nos ouvidos de seus filhos, de alguma coisa acontecendo deste ou daquele modo? Das coisas vindas por acaso? Pela boa ou má sorte? Como também, quando eles se referem a este ou aquele evento, pela sabedoria ou poder dos homens; ou, realmente, a alguma outra segunda causa, como se esses governassem o mundo? Sim, eles, sem perceberem, não a alimentam, enquanto eles falam de sua própria sabedoria, ou bondade, ou poder para fazer isto ou aquilo, sem expressamente mencionar que todos esses são o dom de Deus? Tudo isto, tende a confirmar o Ateísmo de seus filhos, e manter Deus fora de seus pensamentos.

14. Mas nós estamos, de modo algum, limpos do sangue deles, se nós apenas formos assim tão longe, se nós meramente não alimentamos a sua doença. O que pode ser feito para curá-la? Da primeira alvorada da razão, inculcar, continuamente, que Deus está nisto e em toda parte. Deus fez você e a mim, e a Terra, e o sol, e a lua, e todas as coisas. E todas as coisas são Dele; céu e terra, e tudo que nela existe. Deus ordena todas as coisas. Ele faz o sol brilhar, e o vento soprar, e as árvores produzirem frutos. Nada vem por acaso; esta é uma palavra tola; não existe tal coisa como acaso. Já que Deus criou o mundo, então, Ele governa o mundo e todas as coisas que estão nele. Nem um pardal cai no chão, se não for pela vontade de Deus. E como Ele governa todas as coisas, então, ele governa todos os homens, bons e maus, pequenos e grandes. Ele dá a eles todo o poder e sabedoria que eles têm. E Ele governa tudo. Ele nos dá toda a bondade que temos; todo bom pensamento e palavra, e obra são Dele. Sem Ele, nós não podemos pensar coisa alguma certa, ou fazer coisa alguma correta. Assim é que nós inculcamos neles que Deus é tudo em tudo.

15. Assim, nós podemos neutralizar, e, pela graça de Deus nos assistindo, gradualmente curar o Ateísmo natural de nossas crianças. Mas o que podemos fazer para curar a vontade própria dela? Ela está igualmente enraizada em sua natureza, e é, de fato, a idolatria original, que não está confinada a uma época ou região, mas é comum a todas as nações debaixo do céu. E quão poucos são os pais, que não são culpados neste assunto, mesmo em meio aos cristãos que verdadeiramente temem a Deus! Quem não alimenta, e aumenta continuamente essa intemperança em seus filhos? Permitir-lhes a vontade própria faz isto mais efetivamente. Permitir a eles seguirem seu próprio caminho é o método certo de aumentar a vontade própria sete vezes mais. Mas quem tem a resolução de fazer o contrário? Um pai em cem! Quem pode ser tão singular, tão cruel, para não condescender, mais ou menos, a seu filho? ‘E por que você não poderia? Que dano pode haver nisto, que todos fazem?’. O dano é que isto fortalece a vontade deles, cada vez mais, até que ela não se submeta nem a Deus, nem ao homem. Condescender aos filhos é, tanto quanto em nós se coloca, fazer a doença deles, incurável. Os pais sábios, por outro lado, devem começar a coibir a vontade deles, no primeiro momento em que ela aparece. Em toda a sabedoria da educação cristã, não existe coisa alguma mais importante do que isto. A vontade dos pais está, para o filho pequeno, no lugar da vontade de Deus. Portanto, cuidadosamente os ensine a se submeterem a isto, enquanto são crianças, para que eles possam estar prontos a submeterem-na à vontade de Deus, quando forem homens. Mas, com o objetivo de conduzir este ponto, você irá precisar de firmeza e resolução incríveis; porque, depois de você ter começado, uma vez, você não deverá mais desistir. Você deverá manter-se firme ainda no mesmo curso; você nunca deverá intermitir sua atenção por uma hora, do contrário você perderá seu trabalho.

16. Se você não está disposto a perder todo o trabalho que tem tido, para coibir a vontade de seu filho, e trazê-la, em sujeição, à sua, para que ela possa estar, mais tarde, sujeita à vontade de Deus, existe um conselho que, embora pouco conhecido, deve ser particularmente observado. Pode parecer uma circunstância pequena; mas tem uma conseqüência maior do que alguém pode facilmente imaginar. É este: Nunca, de maneira alguma, dê para a criança alguma coisa, pela qual ela chorou. Porque é uma observação verdadeira (e você poderá fazer o experimento, tão freqüentemente quanto lhe agradar) que, se você der a uma criança o que ela pede a você chorando; ela certamente irá chorar novamente.

‘Mas, se eu não dou a ela, quando ela chora, ela irá gritar o dia todo’.

Se ela fizer isto, será por sua culpa; uma vez que está em seu poder efetivamente impedi-la: Porque nenhuma mãe precisa suportar um filho gritando alto, depois que ele tem um ano de idade.

‘Porque é impossível impedi-la’.

Assim, muitos supõem, mas trata-se de um completo equívoco. Eu sou testemunha, exatamente do contrário; e assim muitos outros são. Minha mãe teve dez filhos, cada um tinha vitalidade o suficiente; ainda assim, nenhuma delas era ouvida gritar alto depois que tivesse um ano de idade. A senhora de Sheffield (diversas dessas crianças, eu suponho, ainda estão vivas) me afirmou que ela teve o mesmo sucesso com respeito aos seus oito filhos. Quando alguns estavam contestando a possibilidade disto, o Sr. Parson Greenwood (bem conhecido no norte da Inglaterra) replicou:

‘Isto não pode ser impossível: Eu tive prova disto em minha família. Mais do que isto. Eu tenho seis filhos de minha primeira mulher; e ela não aceitou que algum deles chorasse alto, depois que eles tivessem dez meses de idade. E ainda assim, nenhum vigor deles foi tão coibido, de maneira a incapacitá-los para algum, dos ofícios da vida’.

Isto, portanto, pode ser feito por alguma mulher de bom-senso, que pode, por meio disto, evitar a si mesma uma abundância de problema, e prevenir aquele barulho desagradável; os berros das crianças jovens, que podem ser ouvidos debaixo do telhado dela. Mas eu admito que ninguém, a não ser uma mulher de juízo será capaz de efetuar isto; sim, e uma mulher de tal paciência e resolução, que somente a graça de Deus pode dar. De qualquer modo, isto é sem dúvida, o caminho mais excelente: e ela que é capaz de recebê-lo, que o receba!

17. É difícil dizer se a vontade própria ou orgulho seja a mais fatal intemperança. Foi principalmente o orgulho que atirou para baixo, tantas estrelas do céu, e tornou anjos em demônios. Mas o que os pais podem fazer, com o objetivo de parar isto, antes que ele possa ser radicalmente curado?

Primeiro: Cuide de não acrescentar combustível à chama; de alimentar a doença que você deve curar. Quase todos os pais são culpados de fazerem isto, por elogiarem seus filhos na frente deles. Se você está consciente da tolice e crueldade disto, veja que você inviolavelmente abstenha-se de fazê-lo. E, a despeito do temor ou complacência, dê um passo adiante. Não apenas não encoraje, mas não aceite que outros façam o que você mesmo não se atreve a fazer. Quão poucos pais estão suficientemente atentos a isto, — ou, pelo menos, suficientemente resolutos a praticar isto, — parar cada um, na primeira palavra, dos que forem elogiá-los na frente deles! Mesmo estes que, de modo algum, estariam solícitos ao elogio próprio; todavia, não hesitariam de estarem solícitos ao elogio de seus filhos; sim, e isto na frente deles! Oh! Reflitam! Isto não é espalhar armadilha para os pés deles? Este não é um incentivo grave ao orgulho, mesmo se eles forem elogiados pelo que é verdadeiramente louvável? Não é duplamente danoso, se eles são elogiados por coisas não verdadeiramente elogiáveis; — coisas de uma natureza indiferente, como razão, boa conduta, beleza, elegância de vestuário? Isto esta sujeito, a não apenas ferir os corações deles, mas seu entendimento também. Isto tem uma tendência manifesta e direta a infundir orgulho e insensatez juntos; a perverter ambos seu gosto e julgamento; ensinando-os a valorizarem o que é esterco e refugo aos olhos de Deus.

18. Se, ao contrário, você deseja, sem perda de tempo, golpear na raiz do orgulho deles, ensinar seus filhos, tão logo quanto possível, que eles são espíritos caídos; que eles caíram daquela gloriosa imagem de Deus, na qual eles foram primeiro criados; que eles não são agora, como eles foram uma vez, imagens incorruptíveis do Deus da glória; carregando a semelhança explícita da sabedoria, da bondade, do santo Pai dos espíritos; mas mais ignorantes, mais tolos, e mais pecaminosos, do que eles podem possivelmente conceber. Mostrar a eles que no orgulho, paixão, e vingança, eles são agora como o diabo. E que, nos desejos tolos e apetites rastejantes, eles são como as bestas do campo. Zele diligentemente neste respeito, para que, sempre que a ocasião oferecer, você possa ‘identificar o orgulho, em seus primeiros movimentos’, e impedir a mesma primeira aparição dele.

Se você me perguntar: ‘Mas como eu posso encorajá-los, quando eles fazem o certo, se eu nunca os aprovo?’.

Eu respondo, que eu nunca afirmei isto. Eu nunca disse tal coisa como: ‘Você não deve nunca elogiá-los!’. Eu conheço muitos escritores que afirmam isto, e escritores de devoção eminente. Eles dizem que elogiar o homem é roubar a Deus, e, por conseguinte condenam isto completamente. Mas o que dizem as Escrituras? Eu li que o próprio nosso Senhor freqüentemente elogiava seus discípulos; e o grande Apóstolo não hesita em elogiar os Corintos, Filipenses, e concorda com outros a quem ele escreve. Ele não pode, portanto, condenar isto completamente. Mas eu digo, use isto muito moderadamente. E, quando o fizer, faça-o, com a mais extrema precaução, dirigindo-os, ao mesmo tempo, a verificarem que tudo que eles têm é dom gratuito de Deus, e com a mais profunda humilhação própria diga: ‘Não a nós! Não a nós! Mas a teu nome seja dado o louvor!’.

19. Próximo à vontade própria e ao orgulho, a doença mais fatal com o que somos nascidos, está o ‘amor ao mundo’. Mas quão cuidadosamente a generalidade dos pais cuida disto, em suas diversas ramificações! Eles alimentam ‘o desejo da carne’, ou seja, a tendência a buscarem a felicidade, em agradarem aos sentidos exteriores, arquitentando ampliarem o prazer do paladar de seus filhos ao extremo; não apenas dando a eles, antes que eles desmamem, outras coisas além do leite, o alimento natural dos filhos, mas dando a eles, ambos, antes e depois, toda sorte de carnes ou bebidas que eles terão. Sim, eles os seduzem, muitos antes que a natureza requeira isto, a tomarem vinho ou bebidas fortes; e os fornecem com frutas cristalizadas, bolo de gengibre, uva-passa, e qualquer fruta a que eles estejam inclinados. Eles alimentam ‘o desejo dos olhos’, a propensão a buscarem a felicidade no prazer da imaginação, dando a eles lindos brinquedos reluzentes, fivelas ou botões brilhantes, roupas finas, sapatos vermelhos, chapéus com laços, ornamentos supérfluos, como fitas, colares, franzidos; sim, e propondo estes como recompensa por fazerem a obrigação que lhes cabe, o que imprimi um grande valor sobre estas coisas. Com igual cuidado e atenção eles estimulam neles, a Terceira ramificação do amor ao mundo, ‘o orgulho da vida’; a propensão a buscarem a felicidade na ‘honra que vem dos homens’. Nem o amor ao dinheiro é esquecido; eles ouvem muita exortação sobre aproveitarem a melhor chance; muitas leituras concordam exatamente com aquele antigo ateu: ‘Ganhe dinheiro, honestamente se você puder; mas, se não puder, ganhe dinheiro!’. E eles são cuidadosamente ensinados a buscarem as riquezas e honras como a recompensa para todos os trabalhos deles.

20. Em oposição direta a tudo isto, pais sábios e verdadeiramente amorosos tomam cuidado extremo, para não nutrirem, em seus filhos, o desejo da carne; a propensão natural deles de buscarem felicidade, no gratificarem os sentidos exteriores. Com esta visão, a mãe não irá permitir que eles provem alimento algum, a não ser leite, até que eles sejam desmamados; o que milhares de experimentos mostram, é feito, mais seguramente e facilmente, no final do sétimo mês. E, então, acostumá-los a um alimento mais simples, principalmente de vegetais. Ela pode habituá-los a provar apenas uma espécie de alimento, além do pão, no jantar, e, constantemente para o café da manhã, e jantar, com o leite, tanto frio ou aquecido, mas não fervido. Ela pode acostumá-los, a que se sentem à mesa consigo, às refeições; e a não pedirem por nada, a não ser o que lhes é dado. Ela não precisa fazer com que eles conheçam o gosto do chá, até que eles tenham, pelo menos, nove ou dez anos de idade; ou fazerem uso de alguma outra bebida às refeições, a não ser água ou ninharia [small beer]. E eles nunca desejarão provar carne ou bebida, entre as refeições, se não forem acostumados a isto. Se frutas, confeitos, ou alguma coisa do tipo forem dados a eles, que eles não toquem neles, a não ser às refeições. Nunca proponha alguma dessas coisas como uma recompensa; mas os ensinem a ver mais alto do que isto.

Mas uma dificuldade irá surgir nisto; e vai precisar de muito mais resolução para vencer. Seus criados, que não irão entender seu plano, irão continuamente dar pequenas coisas para seus filhos, e, por meio disto, irão desfazer de todo seu trabalho. Isto você deve evitar, se possível, advertindo-os, quando eles primeiro vieram para sua casa, repetindo o aviso de tempos em tempos. Se eles, não obstante, fizerem isto, você deve mandá-los embora. Melhor perder um bom criado do que estragar uma boa criança.

Possivelmente, você pode ter outra dificuldade para enfrentar, e uma de natureza mais penosa. Sua mãe, ou a mãe de seu marido pode morar com você; e você fará bem em mostrar a ela todo respeito possível. Mas não a deixa ter, de maneira alguma, a mínima participação no manejo de seus filhos. Ela poderia desfazer tudo o que você teria feito; ela iria fazer a vontade deles em todas as coisas. Ela poderia permitir a eles a destruição de suas almas, se não, de seus corpos também. Em oitenta anos, eu nunca encontrei uma mulher que soubesse manejar com um neto. Minha própria mãe, que governou seus filhos tão bem, nunca pode governar uma neta. Em todos os outros pontos, obedeça a sua mãe. Desista da sua vontade pela dela. Mas, com respeito ao manejo de seus filhos, firmemente mantenha as rédeas em suas próprias mãos.

21. Pais sábios e amorosos serão igualmente cautelosos em não alimentarem ‘o desejo dos olhos’ em seus filhos. Eles não darão a eles brinquedos bonitos e resplandecentes, fivelas e botões brilhantes, roupas finas e alegres; nem ornamentos desnecessários de qualquer tipo; nada que possa atrair os olhos. Nem eles irão permitir que alguma outra pessoa dê a eles o que eles mesmos não darão. Alguma coisa do tipo que é oferecida pode ser tanto civilmente recusada, quanto recebida e guardada. Se eles ficam insatisfeitos com isto, você não pode fazer nada. Complacência, sim, e interesse temporal, necessitam ser colocados de lado, quando o interesse eterno de seus filhos está em jogo.

Suas dores serão bem retribuídas, se você puder inspirá-los, logo cedo, com um desprezo a todos os ornamentos; e, por outro lado, com um amor e estima a uma simplicidade e modéstia de vestuário: Ensinando a eles a associarem as idéias de simplicidade e modéstia; e aquelas de uma mulher refinada e relaxada. Igualmente, instile neles, tão logo quanto possível, um temor e desdém à pompa e grandeza; uma aversão e horror ao amor ao dinheiro; e uma profunda convicção de que as riquezas não podem trazer felicidade. Desacostumá-los, portanto, de todas esses objetivos falsos; habituá-los a fazerem de Deus seu objetivo em todas as coisas; e acostumá-los, em tudo que eles façam, a objetivar conhecer, amar e servir a Deus.

22. Novamente: A generalidade dos pais alimenta a ira em seus filhos; sim, a pior parte dela; ou seja, a vingança. A mãe tola diz: ‘O que feriu meu filho? Vingue-se, por mim’. Que trabalho horrível é este! Um antigo assassino irá ensinar-lhes, rápido o suficiente, esta lição? Que os pais cristãos não poupem dores em ensiná-los justamente o contrário. Lembrar a eles das palavras de nosso abençoado Senhor: (Mateus 5:38-40) ‘Ouvistes que foi dito: Olho por olho, e dente por dente. Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal’; não retornando o mal pelo mal. Preferivelmente a isto, ‘se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra; e, ao que quiser pleitear contigo, e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa’. Lembre-se das palavras do grande Apóstolo: (Romanos 12:19) ‘Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira, porque está escrito: Minha é a vingança; eu recompensarei, diz o Senhor’.

23. A generalidade dos pais alimenta e aumenta a falsidade de seus filhos. Quão freqüentemente eles podem ouvir aquela palavra absurda: ‘Não, não foi você; não foi meu filho que fez isto; diga, foi o gato’. Que tolice espantosa é esta! Você não sente remorso, enquanto está colocando uma mentira na boca de seu filho, antes que ele possa falar claramente? E por acaso você pensa que isto terá boa proficiência, quando chegar a maioridade [direito inglês aos 14 anos]? Outros os ensinam a tanto dissimularem quanto mentirem, através de sua severidade desarrazoada; e, ainda outros, por admirarem e aplaudirem suas mentiras engenhosas e embuste astuto. Que os pais sábios, ao contrário, os ensinem a ‘descartarem toda mentira’, nas pequenas e nas grandes coisas; na galhofa e na sinceridade, falando a mesma verdade de seus corações. Que ensinem a eles que o autor de toda falsidade é o diabo, que ‘é um mentiroso e o pai da mentira’. Ensinem a abominar e a desdenhar, não apenas toda mentira, mas todas as expressões ambíguas, toda a astúcia e dissimulação. Que usem de todos os meios para fazê-los amar a verdade, — veracidade, sinceridade, e simplicidade, e a franqueza do espírito e comportamento.

24. A maioria dos pais aumenta, em seus filhos, a tendência natural à injustiça, por serem coniventes, nas transgressões um ao outro; se não rindo, ou mesmo aplaudindo sua engenhosa sagacidade para enganar um ao outro. Tomem cuidado, com todas as coisas deste tipo; e, em suas infâncias, semeiem as sementes da justiça em seus corações, e os eduquem na prática mais exata dela. Se possível, os ensinem a amar a justiça, e isto nas coisas menores, assim como, nas coisas maiores. Imprimam, em suas mentes, um velho provérbio: ‘Aquele que é capaz de roubar um lápis, será capaz de roubar uma libra’. Habituem seus filhos a devolverem tudo que eles devem, mesmo que um centavo.

25. Muitos pais são coniventes igualmente na maldade de seus filhos, e, por meio disto, a fortalecem. Porém, os pais verdadeiramente afetuosos não irão ter indulgência com eles, de qualquer tipo, ou grau de crueldade. Eles não irão aceitar que eles aflijam seus irmãos ou irmãs, quer por palavras ou ações. Eles não irão permitir que eles firam ou causem dores à coisa alguma que tem vida. Eles não irão permitir que eles roubem ninhos de pássaros; muito menos matem alguma coisa sem necessidade, — nem mesmo cobras que são tão inocentes quanto minhocas, ou sapos, o que tem sido provado, sempre e sempre, não obstante a feiúra e a má fama deles, serem tão inofensivos quanto insetos. Que eles ampliem, na sua medida, a qualquer animal que seja, a regra de fazer a eles o que eles gostariam que lhes fosse feito. Vocês que são pais verdadeiramente amorosos, de manhã, de tarde, e em todo o dia, pressionem todos os seus filhos ‘a caminharem no amor, como Cristo também os amou, e deu a Si mesmo por nós’; a ter em mente um ponto, ‘Deus é amor; e aquele que habita no amor, habita em Deus, e Deus nele’.

[Editado por Keith Millar, estudante na Northwest Nazarene College (Nampa, ID), com correções por George Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.]

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